Comissão aprova impeachment de prefeito paraguaio
Lúcio Flávio Moura
Enviado a Ciudad del Este
Especial para a Folha
A Comissão para Assuntos Municipais da Câmara Federal do Paraguai aprovou ontem o pedido de impeachment contra o prefeito de Ciudad del Este, Juan Carlos Barreto (Partido Colorado). A decisão deve ser referendada em plenário, na próxima quinta-feira.
Barreto está afastado do cargo desde maio, quando a Câmara Municipal aprovou a nomeação de um interventor federal no município. Ele é acusado de desviar o equivalente US$ 8,5 milhões do fundo de pensão do funcionalismo municipal.
A decisão em Assunção pode aprofundar a crise política na cidade, que é capital do departamento (equivalente a Estado) de Alto Paraná e a segunda mais populosa do país, com 250 mil habitantes.
A oposição declarou guerra à administração Barreto desde o assassinato do vice-presidente Luis Maria Argaña, em março. Na época, Barreto chegou a ser acusado de envolvimento na conspiração liderada pelo general Lino Oviedo, suspeito de ser o mandante do crime.
Há três dias, grande parte dos mil servidores municipais ocupa a praça onde fica a prefeitura. O grupo instalou uma cerca de arame farpado para isolar o prédio e queimou pneus para impedir a repressão policial.
Barreto reconquistou o direito de exercer o cargo na semana passada, quando o prazo da intervenção expirou. Na terça-feira, os manifestantes o impediram de despachar na Biblioteca Municipal, bloqueando a entrada da prédio.
Aprovado o impeachment, a Câmara Municipal, de maioria oposicionista (8 dos 12 vereadores são argañistas), deve indicar o nome de Eduardo Morales, vereador argañista apoiado pelos servidores.





