Começam negociações entre Arafat e Clinton
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sexta-feira, 10 de novembro de 2000
France Presse De Washington 
O presidente Bill Clinton reuniu-se ontem com o dirigente palestino Yasser Arafat para conversar sobre o agonizante processo de paz no Oriente Médio, tendo ao fundo uma nova explosão de violência na região e em meio a incertezas políticas nos Estados Unidos.
Na reunião, que começou às primeiras horas da tarde no salão oval da Casa Branca, o presidente americano insistiu sobre a necessidade de aplicar os acordos firmados mês pasado na reunião de cúpula de Sharm el Sheikh (Egito), informou o Departamento de Estado.
O presidente da Autoridade Palestina, que chegou na manhã de ontem a Washington, exigiu a mobilização de uma força internacional da ONU na Cisjordânia e em Gaza.
Participaram a secretária de Estado, Madeleine Albright; o assessor de Clinton para questões de segurança nacional, Sandy Berger, e o emissário de Washington nas negociações de paz, Dennis Ross.
Israel se opõe terminantemente à mobilização de uma força internacional e Clinton não deseja dedicar muito tempo ao assunto. Para poder realizar algo assim, faz falta um acordo das duas partes, e nesta fase os israelenses não estão dispostos a examinar a idéia. Do nosso ponto de vista, passar muito tempo nisso só poderá afastar-nos (dos objetivos) de deter a violência e retomar o processo de paz, declarou Berger.
Clinton receberá domingo pela manhã o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, antes de partir para Brunei, onde participará da reunião de cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC).
Berger informou que as duas reuniões se centrarão na situação no local e nos meios de acabar com o ciclo de violência. A violência deve primeiro diminuir, para depois ser restabelecida a calma. Esse será um capítulo importante das discussões com Arafat. Mas também falarão sobre como retomar o processo de paz. É um assunto que o presidente (Clinton) quer abordar, acrescentou.
Sete palestinos e uma israelense morreram nas últimas 24 horas, elevando a 196 o número total de vítimas, a maioria delas palestinas, desde o início desta nova Intifada, no final de setembro.
O clima de tensão aumentou com a nova estratégia do exército israelense de atacar diretamente os chefes do Fatah, um dos quais foi abatido na manhã de ontem, durante um ataque com helicópteros. Outras 15 pessoas ficaram feridas, segundo fontes médicas.
Um dirigente do Fatah na Cisjordânia, Hussein al Cheij, anunciou represálias. Arafat será recebido hoje à tarde pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, ante o qual defenderá a mobilização de uma força de paz. Temos direito (a esta proteção), assim como todos os países agredidos, havia declarado o líder palestino terça-feira passada em Gaza.
Barak conclamou quarta-feira os dirigentes palestinos a iniciar negociações diretas, destacando que a violência não pode continuar.
Advertiu que Israel recorrerá a todos os meios necessários para acabar com a violência e que não estava disposto a aceitar a proclamação unilateral de um Estado palestino.


