O diálogo de paz que o governo colombiano e a guerrilha iniciarão hoje, o primeiro em sete anos, não é um processo formal de negociação nem implica no fim das hostilidades ou na diminuição da violência. Os analistas estimam que as conversações não vão se traduzir imediatamente num acordo de paz e que dificilmente as partes vão concordar com um cessar-fogo já que decidiram falar de paz em meio aos estrondos da guerra.
O diálogo começa com um otimismo moderado e com uma grande expectativa da comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, que apóiam a busca de uma solução negociada para pôr fim ao conhecido conflito que só na última década deixou 35 mil civis mortos.
Apesar dos colombianos apoiarem as iniciativas de paz do presidente Andrés Pastrana, recentes pesquisas de opinião revelaram que a maioria não acredita ou duvida da real vontade de paz da guerrilha. ‘‘Dificilmente a Colômbia pode contar com a paz agora’’, disse o comentarista político do jornal El Espectador, Mario Arbeláez. Ainda assim, admitiu a possibilidade de que se declare uma trégua, através da qual os massacres, os sequestros, os ataques aos oleodutos e as violações aos direitos humanos diminuiriam.
Mesmo com o início das conversações de paz, não se vislumbra um acordo num futuro próximo porque para isso seria preciso superar as raízes de uma violência de 50 anos e as grandes diferenças sociais que mantêm mais de 50% da população em estado de pobreza. ‘‘Não se pode pedir a paz sem que antes se resolvam as causas geradoras do conflito e sem que se coloque um ponto final em todas as violações de direito internacional humanitário’’, afirmou Arbeláez.
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), com as quais se iniciará o diálogo, exigem, entre outros pontos, um investimento de 50% do orçamento do país em obras sociais, uma reforma das forças militares e outras demandas que no entender dos analistas, serão difíceis de negociar. Apesar da disposição do atual governo para conversar, as Farc advertiram que não vão entregar as armas porque é através de seus fuzis que garantirão o cumprimento dos eventuais acordos que fizerem com o governo.
De imediato também descartaram a possibilidade de um fim das hostilidades com o argumento de que não estão ‘‘dadas as condições’’. Com este panorama tão incerto, algumas pessoas sustentam que esta tentativa para trazer a paz fracassará porque o que as Farc buscam é um fortalecimento ainda maior no terreno militar. Segundo o analista Eduardo Pizarro, ‘‘as Farc nunca visam uma negociação que conduza à paz’’.France PresseA placa representa a idéia do projeto da Farc ao negociar com o governoLuis Jaime Acosta, da Reuters

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