France PresseDesesperoParentes das vítimas esperam em Jacarta notícias sobre o resgate dos corpos. A informação de que não há sobreviventes torna a espera dolorosa e angustiante. O que ainda piora as coisas é a impossibilidade, devido às condições climáticas, para que os corpos sejam entregues às famílias As equipes de socorro indonésias começaram ontem os trabalhos de resgate dos corpos das 234 vítimas da tragédia do avião da empresa aérea Garuda, enquanto as autoridades investigavam se a má visibilidade causada pela nuvem de fumaça dos incêndios florestais contribuiu para o acidente de sexta-feira.
Antes de perder contato com a torre de controle no aeroporto Polonia de Medan, no norte da ilha de Sumatra, o piloto pediu ajuda para aterrissar, pois tinha problemas devido à densa nuvem de fumaça, segundo a agência de notícias estatal Antara.
O ministro dos Transportes, Haryanto Dhanutirto, citou testemunhas que garantiram ter visto o avião, que voava a baixa altitude, bater contra algumas árvores antes de cair em um terreno próximo ao povoado de Buah Nabar, 40 km ao sudeste de Medan.
As caixas-pretas, que poderiam oferecer a chave para determinar a causa do acidente, não foram recuperadas, informou o tenente-coronel B.S. Dandeld, chefe da base aérea de Medan.
Os esforços para retirar os corpos dos escombros viam-se dificultados ontem pela espessa camada de fumaça. Um porta-voz da Garuda, Eddy Paswardi, informou que 75% das vítimas já tinham sido encontradas.
Segundo a agência Antara, que citou o secretário-geral do Ministério dos Transportes, Muchtarudin Siregar, 104 corpos já tinham sido identificados até ontem à tarde.
Também de acordo com a agênia estatal indonésia, que não identificou suas fontes, o sistema de navegação utilizado pelo avião era antiquado e não é mais usado em vôos comerciais.
Centenas de parentes devastados pelo sofrimento ocuparam ontem o aeorporto de Jacarta, esperando um vôo para Medan, cujo aeroporto estava fechado devido à escassa visibilidade.
O presidente da empresa Garuda, Supandi, negou-se a especular sobre o papel da fumaça no acidente.
‘‘As causas do acidente estão sendo investigadas, tanto se foi a fumaça ou não’’, disse.
Pelo menos 18 passageiros do airbus A-300 acidentado eram estrangeiros, anunciou-se ontem, quando a companhia começou a informar as identidades das 234 vítimas. Entre elas estão dois franceses, dois holandeses, um belga, um britânico e um número ainda desconhecido de norte-americanos, alemães e japoneses.
Este foi o quarto acidente aéreo este ano na Indonésia e o pior na história da aviação do país.
Airbus não será afastado A companhia aérea indonésia Garuda continuará utilizando sua frota de Airbuses, anunciou Zainuddin Sikado, diretor de transportes aéreos nacionais, ontem, um dia depois da catástrofe do A-300 que vitimou 234 pessoas.
O alto funcionário indonésio, citado pela agência de notícias Antara, disse que a companhia espera substituir o avião destruído no acidente por outro do mesmo tipo.
A frota de aeronaves vendida pela empresa européia à Garuda era, antes do acidente, de 10 A-300-600 e 9 A-300 B4S.
Chuvas artificiais O primeiro-ministro tailandês, Chaowalit Yongchaiyudh, ordenou ontem que se provoquem chuvas artificais no sul do país para tentar conter a gigantesca nuvem de fumaça provocada pelos incêndios florestais na Indonésia.

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