Os refugiados hutus ruandeses na Tanzânia começaram ontem pela amanhã a deixar seus acampamentos ao longo da fronteira com Ruanda e se dirigiam à fronteira próxima, de onde voltarão para seu país de origem. ‘‘Não sabemos quantos, mas se trata, sem dúvida, de um movimento maciço’’, afirmou Michele Quintaglie, porta-voz do Programa de Alimentação Mundial (PAM) da ONU em Nairóbi.
Segundo ela, os refugiados hutus dos acampamentos de Ngara chegariam à ponte fronteiriça sobre o Rio Rusumo, situado a 20 quilômetros dos acampamentos, por volta do meio-dia. Funcionários de agências humanitárias acompanhavam a evacuação contando com 200 caminhões do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). A Cruz Vermelha havia colocado à disposição água e alimentos para os refugiados.
Mais de 300 mil refugiados hutus da Tanzânia, que fugiram de seu país devido à guerra civil de 1994, escaparam dos acampamentos quinta e sexta-feiras, por medo de serem forçados a voltar para seu país, e se dirigiram para o sudeste com a esperança de chegar a Malawi ou ao Quênia. No entanto, a polícia e as tropas tanzanianas detiveram os fugitivos, que acabaram voltando aos seus acampamentos no final da noite de sexta-feira.
Michele Quintaglie disse que pelo menos 100 mil dos refugiados ainda estavam ao sul dos acampamentos. Ela garantiu que devido à extensão dos acampamentos, a polícia não conseguiu deter todos os refugiados. Na semana passada, o governo tanzaniano informou que todos os refugiados deveriam voltar até o fim do mês. Na manhã de ontem, a situação não estava definida, porque as autoridades tanzanianas bloquearam o acesso dos acampamentos aos funcionários das agências e aos jornalistas.
Depois da guerra civil de Ruanda, os rebeldes tutsis tomaram o controle do país, mas os extremistas hutus assassinaram mais de meio milhão de pessoas e muitos refugiados temem uma vingança. Os funcionários das agências garantiram que os acampamentos estão controlados pelos extremistas.

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