Começa processo de beatificação de João Paulo II
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segunda-feira, 27 de junho de 2005
Folhapress 
São Paulo - Autoridades eclesiásticas devem iniciar hoje o processo de beatificação do Papa João Paulo II, morto em 2 de abril passado. O processo começa em um tempo recorde dois meses e 26 dias após a morte do pontífice. Segundo a norma vigente no Vaticano, a ação não poderia começar antes de 2010.
Um processo de beatificação deve incluir a prova dos milagres feitos pelo beato antes ou depois de sua morte. A beatificação é a etapa que precede a canonização. Cartas e mensagens eletrônicas chegam todos os dias, de vários países. Fiéis querem relatar acontecimentos em que supostamente João Paulo II intercedeu com um milagre.
Em 1983, João Paulo II impulsionou a reforma do Código de Direito Canônico. No texto, atualmente, há uma série de requisitos para comprovar a autenticidade de um milagre, que precisa ser certificado em um verdadeiro processo judicial.
O padre polonês Slawomir Oder, que atua como advogado de defesa no processo de beatificação de João Paulo II, deve entregar os documentos necessários no tribunal hoje. Além de cartas com testemunhos, também serão analisados vários documentos, livros, discursos e apontamentos feitos por João Paulo II ao longo de sua vida, marcada pela vocação literária e filosófica. O processo tem mais de 100 mil páginas.
Várias pessoas serão também convocadas para testemunhar, a partir de hoje. É possível que o Papa Bento XVI que substituiu João Paulo II seja convocado como testemunha, dizem especialistas. Demonstrar a validade de um milagre não é tarefa fácil.
A Congregação para as Causas dos Santos tem a assessoria de uma equipe de 70 médicos e especialistas. O indivíduo que alega ser curado por milagre tem que passar por uma série de testes e exames. Os milagres de cura sãos mais comuns. Para que sejam considerados verdadeiros pelo Vaticano, é preciso que se trate de uma cura instantânea, perfeita, duradoura, e inexplicável cientificamente.
Hoje também, o Papa Bento XVI apresentará oficialmente o Compêndio de Catecismo, que resume os princípios essenciais da moral e da doutrina cristã e orienta os fiéis sobre temas como aborto, sexualidade, poderes terrenos e consciência individual. O texto foi preparado pelo atual Papa quando era o cardeal Joseph Ratzinger e algumas páginas são de sua autoria. Ele recordou que, em 2003, foi encarregado por João Paulo II de redigir o resumo.
O compêndio é baseado no Catecismo publicado pelo Papa João Paulo II no dia 7 de dezembro de 1992 e deverá facilitar a consulta por sacerdotes e fiéis de todo o mundo em todos os idiomas.


