Mergulhadores russos e de outras nacionalidades chegaram ontem ao local do naufrágio do ‘‘Kursk’’ para retirar os corpos dos tripulantes. A missão macabra permitirá trazer no máximo um terço dos 118 cadáveres no fundo do mar.
Mais de dois meses depois do naufrágio do submarino nuclear russo, no dia 12 de agosto, a imponente plataforma ‘‘Regalia’’ vinda da Noruega, chegou ontem no mar de Barents, local onde aconteceu a tragédia, a 150 km da costa Noroeste da Rússia.
As 130 pessoas a bordo, entre as quais 18 mergulhadores russos, noruegueses e britânicos, começaram a trabalhar imediatamente para preparar a delicada operação, que poderá durar 24 horas, segundo um porta-voz da marinha russa em Severomorsk, porto militar do mar de Barents.
Num primeiro momento, o especialista de Halliburton, empresa que se encarrega da logística sob comando da marinha russa, deveria mergulhar ontem um dos robôs para medir o índice de radioatividade no setor.
Se estas medidas, assim como as imagens dos restos permitirem descartar qualquer risco, os mergulhadores poderão começar os primeiros mergulhos até o casco, a uns 108 metros de profundidade. Será necessário abrir passagens no casco, já que as escotilhas são muito estreitas para que os mergulhadores passem com o material.
A operação começa em meio à polêmica investigação que o presidente Vladimir Putin ordenou sobre a administração da ajuda financeira dada às famílias dos tripulantes, depois que a viúva do comandante denunciou irregularidades.
Assim mesmo, as autoridades russas não esconderam nas últimas semanas suas dúvidas em iniciar a operação classificada de ‘‘difícil e perigosa’’.
Segundo a empresa russa Rubin, que construiu o ‘‘Kursk’’, no melhor dos casos, somente entre 20% e 30% dos corpos poderão ser retirados do submarino, cuja parte interior foi destroçada e inundada no momento do acidente.
Por outro lado, os médicos afirmam que os corpos não poderiam ser identificados depois de ficar algumas semanas em baixo da água.

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