Nairóbi - A sétima edição do Fórum Social Mundial (FSM), a conferência anual que reúne milhares de opositores contra a globalização e que pela primeira vez está sendo celebrada na África, foi iniciada na manhã de ontem em Nairóbi com uma grande passeata.
Cerca de 5 mil ativistas participaram da manifestação, uma quantidade muito inferior às centenas de milhares esperados pelos organizadores. Os manifestantes carregavam um grande cartaz que dizia: ''É possível construir um mundo diferente''. Num clima festivo, ao ritmo de tambores, eles gritavam: ''Bush, terrorista número um''.
A edição 2006 marcou a vontade dos militantes de se aproximar da África, particularmente afetada pelas consequências da globalização, mas frequentemente ausente, por falta de recursos.
Apesar do êxito popular, com uma participação que passou de 20 mil pessoas em 2001, no primeiro FSM, para 100 mil em 2006, os militantes tem sido criticados por não oferecerem mensagens concretas.
Entre as treze atividades coordenadas pelo Fórum estão: luta contra a Aids, peso da dívida, soberania alimentar, necessidade de acordos de comércio justos, modos de vida alternativos para os jovens e empregos que respeitem a dignidade da pessoa.
Entre as personalidades esperadas no Fórum estão o primeiro presidente da Zâmbia, Kenneth Kaunda, a queniana Wangari Maathai, Prêmio Nobel da Paz 2004, a ex-alta comissária de Direitos Humanos da ONU Mary Robinson, o Prêmio Nobel da Paz sul-africano Desmond Tutu e Winnie Mandela, ex-esposa de Nelson Mandela. O sindicalista camponês francês José Bové e a ex-ministra de Cultura de Mali Aminata Traore também participarão do Fórum.
''O Fórum nos permitirá destilar soluções e mandar mensagens muito fortes contra as práticas globais que afetam os países pobres, como as guerras, a degradação do meio ambiente, e o problema da emigração'', explica Oduor Ong'wen, do comitê organizador.

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