Dezoito anos depois do envio do primeiro dos 16 pacotes-bomba atribuídos ao misterioso ‘‘Unabomber’’, os promotores tentarão, a partir de hoje em Sacramento (Califórnia/EUA), convencer um júri popular de que um ex-professor universitário, Theodore Kaczynski, é o responsável por estes atentados. O acusado de 55 anos está preso há cerca de vinte meses. Ele foi encontrado numa minúscula cabana sem água ou eletricidade, situada no Estado de Montana, no Noroeste dos Estados Unidos.
Seu irmão mais novo, David Kaczynski, reconheceu o estilo de Theodore num manifesto que ele publicou nos jornais The Washington Post e The New York Times, no qual ‘‘Unabomber’’ fustigava a tecnologia moderna. David, paradoxalmente, depois de denunciar seu irmão ao FBI será a principal testemunha da defesa. Durante o julgamento, afirmará que os promotores o enganaram, fazendo-o acreditar que não seria pedida a pena de morte para seu irmão. Também vai descrevê-lo como um homem muito perturbado.
‘‘Unabomber’’ é apelido que deram os investigadores ao indivíduo que, durante dezoito anos, tentaram em vão encurralar. Os policiais o denominaram assim porque seus primeiros objetivos foram universitários e companhias aéreas. Theodore Kaczynski pode ser condenado à morte: foi acusado de ter fabricado e colocado os pacotes-bomba que - com dez anos de diferença - mataram dois habitantes de Sacramento. Ele também é acusado de ter enviado, de Sacramento, dois pacotes que feriram dois universitários na Califórnia e em Connecticut.
No total, Theodore Kaczynski, licenciado por Harvard e ex-professor de Matemática da Universidade de Berkeley, é acusado de ter matado três pessoas e feridos 23 entre 1978 e 1995.
ProvasO promotor Robert Cleary, que apresentará o informe da acusação a um júri anônimo de quatro homens e oito mulheres, baseará sua versão nos volumosos escritos do acusado, descobertos na cabana de Montana. Segundo o governo, estes papéis e principalmente o diário encontrado no lugar detalham cada um dos pacotes-bomba enviados pelo Unabomber.
A acusação mostrará Kaczyski como um assassino de sangue frio, que esperava desencadear uma revolução para colocar ponto final ‘‘aos prejuízos’’ que ocasiona às pessoas a sociedade tecnológica ocidental. Entre as outras provas da acusação, figuram uma bomba descoberta em sua cabana, uma máquina de escrever na qual teria escrito o Manifesto do Unabomber e uma cópia desse documento.
As próprias palavras de Kaczynski constituem, segundo a acusação, as provas mais sólidas contra ele: ‘‘Vou começar a matar as pessoas’’, escreveu ele, acrescentando: ‘‘Certamente me chamarão de louco’’. Seus advogados, designados de ofício, o apresentarão como um homem que vive fora da realidade. O julgamento deve durar de quatro a seis semanas.

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