O emir do Bahrein, Hammad bin Isa al-Khalifa anunciou ontem também a abertura de uma investigação para determinar as causas do desastre com o Air Bus da Gulf Air que matou 143 pessoas anteontem. Ele também decretou luto de três dias. Enquanto isso, os parentes das vítimas começavam ontem a dolorosa tarefa de identificar os cadáveres.
Segundo a versão oficial, a aeronave – um Airbus a-320 passado à Gulf Air em setembro de 1994 – fez duas tentativas de aterrissagem no aeroporto de Manama, capital de Bahrein, sem que o piloto, com 20 anos de experiência de vôo, reportasse algum tipo de problema técnico à torre de controle.
Segundo a rede de tevê CNN, no momento do acidente ocorria uma tempestade de areia com fortes ventos. Testemunhas citadas pela imprensa local disseram ter visto fogo em um dos motores do avião, proveniente do Cairo.
Outras testemunhas afirmaram ter escutado uma explosão e tiveram a impressão de que o piloto tentou evitar a queda da aeronave em uma área densamente povoada.
O Airbus caiu com o nariz voltado para a superfície, ‘‘quase como uma flecha’’, nas águas, a aproximadamente um quilômetro da costa, descreveram testemunhas do desastre.
Na região, o mar não passa de 10 metros de profundidade. Essa característica da região facilitou o resgate, do qual também participou a Marinha dos Estados Unidos.
Em Bahrein está situado o quartel general da frota naval norte-americano no Golfo Pérsico. As duas caixas pretas já foram encontradas. Acredita-se que elas possam esclarecer as causas do acidente.
Cenas de desespero foram registradas ontem, quando os familiares das 143 vítimas do acidente começaram a identificar os corpos das vítimas, entre eles os de muitas crianças.
Desamparados pela dor, os familiares batiam no próprio peito, com gritos histéricos, enquanto os representantes da companhia Gulf Air liam os nomes dos 135 passageiros do vôo GF-072, que saiu do Cairo mas não conseguiu pousar em Bahrein. Pelo menos 26 crianças figuravam entre as vítimas do acidente, que provocou também a morte dos oito tripulantes.
‘‘Expressamos nossos pêsames a todas as famílias das vítimas’’, afirmou o vice-presidente da companhia aérea para Relações Públicas, Alí Ahmadi, diante das 160 pessoas reunidas no salão de um hotel de Manama.
As palavras foram insuficientes para acalmar os parentes das vítimas, bastante furiosos por causa do atraso de 20 minutos no anúncio dos nomes das vítimas.
A lenta leitura dos nomes das vítimas foi um verdadeiro suplício. Assim que um nome era pronunciado, a família era levada a uma sala vizinha, para tentar identificar o parente com base nas fotos tiradas dos 143 corpos resgatados na área do acidente.
‘‘Esta cena não tem precedentes em Bahrein. Toda a ilha está sob comoção, todo mundo conhecia alguém a bordo do avião’’, afirmou Mohamed, que perdeu um irmão no acidente.
A maior parte das famílias era de Bahrein, mas também havia egípcios, sauditas, britânicos e omanitas.
Ahmadi disse que um avião da Gulf Air era esperado em Manama ontem à noite, com famílias egípcias que viajaram na tentativa de identificar os corpos de seus familiares.
Na lista de passageiros figuravam 63 passageiros do Egito, 34 de Bahrein, 12 da Arábia Saudita, 9 palestinos, 6 dos Emirados Árabes, um do Kwait, um do Sudão, um de Omã, 3 da China, dois da Grã-Bretanha, um dos EUA, um australiano e um canadense.
Vinte egípcios menores de dez anos e outros seis de diferentes nacionalidades figuram entre as vítimas do acidente com o avião A-320 da Gulf Air. A agência oficial de notícias da China, a Xinhua News Agency, divulgou ontem que três de suas repórteres estavam a bordo do Airbus. As três retornavam de uma visita a seus maridos, que trabalham na filial da agência no Cairo.
Em janeiro deste ano, um Airbus A310, de propriedade da Kenya Airways caiu no Oceano Atlântico logo depois de decolar de Abidjan, na Costa do Marfim, rumo a Lagos, Nigéria. Apenas 10 pessoas sobreviveram, e 169 morreram. Outro Airbus A320 caiu, em 1991, em Strasbourg, na França, matando 87 pessoas. Confira na Internet: http://www.gulfairco.com e http://www.airbus.com

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