Começa a desabar reinado de Mobuto
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terça-feira, 18 de março de 1997
France Presse, de Kinshasa 
Christopher Simon/France PresseTemor na CapitalEm Kinshasa, já começa a fuga da população: psicose se espalha com ameaça dos rebeldes chefiados por Kabila Depois da tomada de Kisangani pelos rebeldes zairenses de Laurent-Désiré Kabila, Kinshasa, a Capital do País ampliou sua tensão com a fuga da família do presidente Mobutu Sese Seko, que se refugiou no Congo vizinho - e anunciada destituição do primeiro-ministro Kengo Wa Dondo pelo Alto Conselho da República-Parlamento de Transição (HCR-PT).
A atmosfera de fim de reinado está bastante acentuada. Em Goma (no Leste), o próprio Kabila assegurou ontem que suas tropas chegarão a Kinshasa antes de junho e que já haviam entrado na província diamantífera do Kasai Oriental. Chegaremos a Kinshasa antes do mês de junho, é nosso objetivo, declarou o líder rebelde numa coletiva.
A presidente da Cruz Vermelha congolesa, Ida Victorine Nze, anunciou ontem na Capital, Brazzaville, que vários membros da família e os assessores do marechal Mobutu, que continua hospitalizado em Mônaco, se refugiaram provisoriamente ontem em Brazzaville fugindo de uma eventual queda do governo. A fonte não revelou o número de membros da família presentes no Congo nem o local onde se encontram.
Após o novo êxito de suas tropas em Kisangani (no Leste), terceira cidade do País, Kabila decretou um cessar-fogo unilateral em um raio de 20 km ao redor da cidade. O líder rebelde apresentou esta trégua como um simples gesto humanitário destinado a facilitar o retorno dos habitantes que fugiram dos combates.
No entanto, como sempre afirmou, Kabila descartou um cessar-fogo geral até serem iniciadas negociações que desemboquem na demissão do chefe do Estado. Embora haja em Kinshasa um golpe de estado dos generais leais ao governo continuaremos a guerra, advertiu.
A imprensa zairense de todas as tendências refletiu ontem o vazio que cria na Capital a transferência do Leste do País para as mãos dos rebeldes: Alta tensão em Kinshasa, Reveses militares, crise política, rumores de golpe de Estado, Ameaças de saque contra Kinshasa eram algumas das manchetes.
PsicoseAnteontem à noite, o governo emitiu um comunicado pedindo a população a não se deixar levar pelo pânico, o que teve como consequência preocupações e psicose de pessoas que começaram a temer a entrada em vigor de um toque de recolher. Em várias avenidas da cidade circulam patrulhas militares, aparentemente por razões de segurança.
Mas para a maioria dos zairenses essas patrulhas apenas semeiam o medo. A imprensa não deixa de recordar regularmente que a derrocada do Exército no Leste foi acompanhada de saques, roubos e estupros. Os estrangeiros que residem em Kinshasa foram a agências de viagens e aeroportos para enviar suas famílias de férias. Mas as embaixadas se limitaram a dar garantias de segurança aos seus concidadãos.
Ademais, continuam rumores sobre o estado de saúde do marechal Mobutu, hospitalizado em Mônaco desde domingo. Seu filho, Nzanga Mobutu, desmentiu que sua saúde tenha piorado e estimou que tudo não passa de boatos que pretendem desestabilizar o governo.
Em Paris, o chanceler Hervé de Charette recebeu o secretário de Estado adjunto americano para a África, George Moose, e afirmou que a França e Estados Unidos trabalham juntos para dar sua contribuição comum à solução da crise zairense.
O chefe da diplomacia francesa voltou a pedir um cessar-fogo imediato entre as partes e repetiu que a França não é responsável pela situação no Zaire. De Goma, Kabila acusou Paris de ser o principal aliado de Mobutu. Não podemos ficar de acordo com os franceses se eles não mudarem, assegurou.


