Combates voltam a explodir em Kosovo
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sexta-feira, 06 de março de 1998
Reuter 
Combates entre a polícia e nacionalistas albaneses armados na província sulista sérvia de Kosovo voltaram a explodir ontem enquanto a comunidade internacional se mostrava dividida sobre como responder à situação.
A polícia sérvia anunciou que havia destruído o núcleo do grupo guerrilheiro separatista Exército de Libertação de Kosovo (KLA) liderado por Adem Jasari, que morreu num assalto de dois dias a bastiões do KLA nas montanhas a oeste da capital de Kosovo, Pristina. Dois policiais sérvios morreram na ação mas o número total de mortos não foi divulgado.
Os combates têm se concentrado em torno de duas vilas no centro de Kosovo onde fontes albanesas afirmam que 50 nacionalistas foram mortos na quinta-feira, mais do que o dobro do número oficial. Fontes sérvias disseram que o número real de mortos é provavelmente ainda maior e que supostos separatistas do KLA defenderam suas casas com metralhadoras e lançadores de mísseis manuais.
A área ao redor das vilas, 25 km a oeste de Pristina, foi isolada mas o som dos disparos e de fortes explosões podia ser ouvido na cidade vizinha de Srbica. Dezenas de refugiados abandonavam a área. Os confrontos levaram o líder do principal partido político albanês em Kosovo, Ibrahim Rugova, a acusar o líder sérvio Slobodan Milosevic de tentar fazer uma limpeza étnica na província, cuja maioria albanesa representa 90% da população.
A violência explodiu há uma semana, provocando temores no Ocidente em relação à estabilidade dos Bálcãs e ameaças dos EUA de renovarem sanções contra Belgrado e promover uma intervenção militar. A Grã-Bretanha, que atualmente exerce a presidência da União Européia de 15 membros, anunciou que esperava que uma reunião na segunda-feira das seis nações do Grupo de Contato sobre a ex-Iugoslávia envie uma dura mensagem a Milosevic.
Os Estados Unidos, um membro do Grupo de Contato, já responderam à repressão em Kosovo cancelando concessões econômicas que haviam feito a Milosevic na semana passada para recompensá-lo por seu comportamento cooperativo na Bósnia e voltando a ameçar promover uma ação militar.
Mas a Rússia, outro integrante do Grupo de Contato e um tradicional aliado da Sérvia, advertiu que não irá tolerar o que classificou de ameaças ocidentais de interferir diretamente em Kosovo ou impor novas sanções contra as autoridades de Belgrado.
Em Tirana, o governo da Albânia anunciou que havia posto em alerta máximo as tropas em suas regiões nortistas na fronteira com a Iugoslávia. Cerca de 20 mil albaneses lotaram a principal praça de Tirana para ouvir o presidente Rexhep Meidani denunciar o que chamou de brutal violência sérvia contra a etnia albanesa em Kosovo.


