Palestinos enfrentavam ontem com armas automáticas soldados israelenses em isolados postos avançados do exército na Cisjordânia e faixa de Gaza, que transformaram-se em virtuais zonas de guerra, depois que os dois lados desconsideraram um cessar-fogo às vésperas de uma tentativa dos Estados Unidos de salvar do processo de paz.
Incapazes de conter a violência, o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, e o líder palestino Yasser Arafat rumavam para Paris para encontrarem hoje com a secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright.
Barak, enquanto isso, travava uma luta interna por sua sobrevivência política, tentando apaziguar legisladores árabes que ameaçam derrubar seu governo em vista da dura repressão lançada contra manifestantes em cidades árabes de Israel. A rebelião interna, a pior desde a fundação de Israel 52 anos atrás, tem bloqueado estradas e fechado escolas, paralisando grandes partes do norte de Israel.
Com os israelenses recorrendo a armas pesadas, como mísseis lançados de helicópteros, e com os palestinos disparando rotineiramente fuzis automáticos, os combates muitas vezes parecem com uma guerra aberta e superaram os níveis vistos durante o levante palestino, ou intifada, de 1987 a 1993 e três dias de tiroteios em 1996.
Os choques mais violentos ontem ocorreram novamente nas caóticas Cisjordânia e faixa de Gaza, onde um cessar-fogo apressadamente acertado durou muito em um par de pontos cronicamente conturbados.
Tropas israelenses, apoiadas por helicópteros de combate, trocavam tiros com palestinos num posto avançado do exército nas proximidades do remoto assentamento judeu de Netzarim, na faixa de Gaza, onde os confrontos têm sido recorrentes nos últimos dias.
Manifestantes se jogavam no chão quando pipocavam disparos de fuzis automáticos. Um homem teve a cabeça completamente destroçada por um míssil israelense, e um companheiro seu apanhou partes de seu cérebro e agitou no ar as mãos repletas de sangue.
Depois de um emocionado funeral de um garoto palestino de 15 anos, manifestantes rumaram diretamente para um posto avançado israelense. Vários pistoleiros alcançaram os muros de pedra que cercam o complexo e levantavam seus fuzis bem acima das cabeças para atirarem em seu interior.
Em quase todas outras áreas palestinas, jovens enfrentavam com pedras soldados israelenses. As principais ruas de Belém e Hebron estavam cobertas de pedras depois de dias de confrontos. Os israelenses respondiam na maior parte das vezes com balas de aço revestidas de borracha e bombas de efeito moral.
Nos confrontos de ontem, quatro pessoas morreram e 206 ficaram feridas, o menor número de vítimas desde que a violência explodiu na semana passada. Ao todo, 55 pessoas já foram mortas e pelo menos 1.300 ficaram feridas, a imensa maioria palestinos.
A violência foi provocada na semana passada pela visita de Ariel Sharon, líder extremista do oposicionista partido Likud, à Esplana das Mesquitas, local sagrado tanto para muçulmanos quanto para judeus. Um desafiador Sharon insistiu ontem que não é o responsável pela explosão de violência, e jogou a culpa em Arafat.
Barak voltou sua atenção para a violência entre as comunidades árabes israelenses, tradicionalmente áreas pacíficas que estão vivendo seus piores distúrbios desde a fundação de Israel em 1948.
Os protestos dos árabes israelenses são em solidariedade aos palestinos, mas eles também refletem a frustração deles com a discriminação, pobreza e desemprego que sofre a minoria árabe de Israel, cerca de um milhão entre os seis milhões de habitantes de Israel.

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