Associated Press
De Díli
Dois membros das milícias pró-Indonésia morreram e dois soldados australianos ficaram levemente feridos ontem no primeiro choque entre as Forças Internacionais de Paz da ONU em Timor Leste (Interfet) com esses grupos armados que não aceitam a independência do território.
O enfrentamento ocorreu a 15 quilômetros de Suaí, no sudoeste de Timor Leste, segundo o comandante da Interfet, o general australiano Peter Cosgrove. A região fica a cerca de 100 quilômetros de Díli e é a última a ser posta sob controle da Interfet.
A Interfet desembarcou em Timor Leste no dia 20 para deter a onda de violência desencadeada pelas milícias depois que os timorenses votaram majoritariamente pela independência da região, em plebiscito realizado em agosto. A Indonésia invadiu a ex-colônia portuguesa de Timor Leste em 1975 e anexou-a em 1976 – ação não reconhecida pela ONU.
Na quarta-feira, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, apresentou ao Conselho de Segurança da organização um plano para conduzir a independência num prazo de dois a três anos, com início provável em dezembro.
Ontem, o bispo de Díli e Prêmio Nobel da Paz, Carlos Belo, retornou a Díli e fez um emocionado discurso na chegada à cidade. ‘‘Minha prioridade agora é ficar com o povo’’, declarou, ao se reunir com fiéis. O bispo deixou Timor Leste às pressas no dia 7 de setembro para escapar dos ataques das milícias contra os timorenses pró-independência.
Em Londres, os líderes separatistas Xanana Gusmão e José Ramos-Horta criticaram a ONU por estar sendo ‘‘muito lenta’’ na ajuda aos refugiados e no envio de tropas para pacificar a região.

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