France Presse
De Grozny
Os russos prosseguiam ontem com ataques de artilharia contra Grozny, onde o frio já causou nos últimos dias inúmeras vítimas entre a população civil, principalmente crianças e idosos.
‘‘Nos últimos dez dias, 37 pessoas morreram nos sótãos e abrigos. Quase todos são crianças e idosos que não conseguiram sobreviver muito tempo nos sótãos e abrigos congelados e sem alimentos’’, afirmou o ministro checheno da Saúde, Umar Jambiev, citado pela agência Interfax.
Entre 10 mil e 40 mil civis se encontram ainda na capital chechena, encerrados em abrigos há semanas. Na noite de anteontem, uma violenta nevasca cobriu a cidade e a temperatura caiu a 15 graus abaixo de zero.
Segundo um jornalista da AFP, os soldados federais também sofrem com o frio e se queixam de não ter recebido uniforme de camuflagem branca.
Os combates corpo-a-corpo nas ruas de Grozny, onde os russos perderam dezenas de homens desde o final de dezembro, causam pânico entre os soldados federais, segundo os quais o exército não está preparado para este tipo de luta.
De acordo com Maxime, um oficial do ministério russo da Defesa, ‘‘o exército russo são os tanques e a artilharia’’. ‘‘Mas o que podemos fazer com tanques na cidade’’, questionou o oficial de 24 anos.
Os homens das forças especiais do ministério do Interior também não se mostram muito entusiasmados. ‘‘Fomos os primeiros a entrar em Grozny, mas é ridículo: estamos atacando uma cidade! As OMON servem para a manutenção da ordem, não para fazer a guerra’’, protesta Alexei, um oficial das Forças Antimotins do ministério do Interior (OMON).
A estratégia definida em Moscou causa ressentimento nos jovens oficiais, que acham que lutar contra um povo para exterminar grupos armados islamitas não é a solução certa.
Apoiados pelo poder e pela opinião pública na Rússia, os militares no terreno não se sentem recebidos como ‘‘liberadores’’ nas zonas de conquista. ‘‘Temos medo de levar uma bala a qualquer momento. A artilharia dispara contra uma aldeia e mata as pessoas. Que podemos esperar de bom dos sobreviventes? O exército faz inimigos por todos os lados’’, lamenta Alexander, outro oficial de 28 anos.