Comandante de pesqueiro diz que submarino não prestou socorro
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domingo, 11 de fevereiro de 2001
Associated Press De Tóquio 
O comandante do barco pesqueiro-escola japonês Ehime Maru, afundado no sábado pelo submarino nuclear norte-americano USS Greeneville, no litoral do Havaí, acusou ontem a tripulação do submergível de ter demorado para socorrer as vítimas e também contestou informações do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (o Pentágono). Nove dos 35 ocupantes do Ehime Maru continuam desaparecidos.
Eles ficaram nos olhando por mais de uma hora. Eram dois ou três, do alto da torre do submarino, sem fazer nada para socorrer-nos, exceto lançar o SOS à guarda costeira do Havaí. Esperava que baixassem ao mar os botes de socorro. Pensei que não tinham os meios para o salvamento, disse ontem Hisao Onishi. Ele também afirmou que as ondas não atingiam a escotilha do submarino.
O Pentágono informara que o Greeneville não tinha lançado a operação de resgate porque fortes ondas impediam a abertura da escotilha.
Equipes norte-americanas prosseguiram ontem com as buscas para localizar os desaparecidos. A operação vai continuar hoje, embora sejam mínimas as chances de encontrá-los com vida. Vinte e seis pessoas foram resgatadas 12 com ferimentos leves. Os desaparecidos são quatro alunos, dois professores e três tripulantes.
O primeiro-ministro do Japão, Yoshiro Mori, pediu às autoridades norte-americanas que icem a embarcação, que está a 559 metros no fundo do mar. Se eles não podem ser encontrados na superfície, teremos de levar em conta nossos temores e olhar dentro do barco, afirmou Mori.
Mori está sendo alvo de duras críticas de políticos e da imprensa de seu país por ter continuado a jogar uma partida de golfe depois de ser informado sobre a colisão do submarino com o pesqueiro.
Os principais jornais publicaram artigos e editoriais de primeira página com críticas a Mori por sua decisão de terminar primeiro a partida. Ele só deixou o local mais de duas horas depois. Mori justificou sua atitude dizendo que procura não se atordoar em momentos de crise.
O submarino Greeneville, de 110 metros de comprimento e 6.900 toneladas de peso, colidiu com o Ehime Maru no momento em que subia à superfície com muita rapidez, a cerca de 30 quilômetros de Pearl Harbor, no Havaí.
O Greeneville ensaiava manobras de emergência e estava equipado com mísseis. O Ehime Maru pesava 499 toneladas e naufragou em dez minutos enquanto o submarino teve danos mínimos.
Segundo o comandante da Frota do Pacífico Sul dos EUA, almirante Thomas Fargo, antes de vir à tona o Greeneville deveria realizar um rastreamento acústico e visual da área.
As autoridades dos EUA abriram uma investigação sobre o caso e transferiram o comandante do Greeneville, Scott Waddle, para uma missão em terra até que se conheçam os resultados. Rumsfeld informou que será avaliado se tais exercícios navais não deveriam ser realizados mais longe da costa.
Cerca de 30 parentes de desaparecidos, autoridades e dirigentes da escola de onde provinham os alunos, na cidade de Matsuyana, viajaram ontem para o Havaí. Toda a família vai junto, pois acreditamos que ele está vivo, disse Yusuke Terata, pai de um dos alunos. O diretor da escola, Ietaka Horita, irrompeu em lágrimas durante entrevista ao vivo pela tevê, no instante em que relatava que a tripulação havia feito o possível, mas não conseguira resgatar todo mundo.


