Com saúde precária, Papa é internado novamente
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005
Kelly Velásquez<br> France Presse 
Cidade do Vaticano - O Papa João Paulo II foi submetido com êxito, ontem, a uma traqueostomia para facilitar sua respiração e passou a noite em seus aposentos na Policlínica Gemelli de Roma, anunciou o Vaticano. A traqueostomia consiste numa incisão a traqueotomia seguida da introdução de uma cânula no interior da traquéia com o fim de estabelecer uma comunicação com o meio exterior.
''A traqueostomia teve êxito'', declarou o porta-voz do Vaticano, Joaquin Navarro Valls. A intervenção durou cerca de 30 minutos, explicou. ''A recaída da gripe, que motivou na manhã de ontem a nova hospitalização do Santo Padre, na Policlínica Gemelli, complicou-se com novos episódios de insuficiência respiratória aguda, causada pelo estreitamento da laringe'', ressaltou um comunicado da Santa Sé.
''Este quadro clínico obrigou os médicos a optarem pela traqueostomia para assegurar a adequada ventilação do paciente'', sustentou o comunicado. A intervenção durou das 20h20 (16h20 Brasília) até as 20h50 (19h50).
A nova hospitalização motivou uma preocupação geral sobre a deterioração de suas condições de saúde. O Papa é um Pontífice ancião e debilitado pela saúde precária. Internado de emergência pela segunda vez em menos de um mês na Policlínica Gemelli, de Roma, o Papa sofreu ao longo de sua vida com inúmeros problemas de saúde, os quais marcaram mais de um quarto de século de seu pontificado.
A história médica do chefe da Igreja Católica é longa e densa a partir do dia que se acidentou aos 20 anos, quando um caminhão o atropelou nas minas de Wadowice, Polônia, onde trabalhava na época. A última intervenção cirúrgica à que foi submetido o Pontífice foi no dia 8 de outubro de 1996, quando foi operado de apendicite.
Desde meados dos anos 90 o Mal de Parkinson começou a se manifestar de forma evidente, sobretudo na sua mão esquerda, que tremia continuamente, enquanto a parte esquerda do rosto, cujos músculos ficaram flácidos, o que lhe deu um aspecto severo.
Os sintomas da apendicite se manifestaram em várias ocasiões durante todo o ano de 1995. O Pontífice, que em abril de 1994 havia sofrido uma fratura no fêmur direito, sendo obrigado a passar por uma cirurgia para implantar uma prótese, mancava de maneira bem evidente.
A história de suas entradas na Policlínica Gemelli de Roma, que começou após o atentado na praça de São Pedro em 1981, é rica em capítulos. João Paulo II foi gravemente ferido no abdômen e de raspão na mão esquerda, na Praça de São Pedro, pelo terrorista turco Ali Agca.
O Papa foi hospitalizado alguns meses depois do atentado para tratar de uma infecção viral contraída em uma transfusão de sangue e regressou em 1992 ao hospital romano para a extração e um tumor no intestino e em 1993 devido a uma luxação no ombro direito.
Apesar da incrível capacidade de recuperação, e de seus longos anos de prática esportiva (futebol, canoagem, bicicleta, esqui, natação e caminhadas), o chefe da Igreja Católica envelheceu bruscamente após a fratura do fêmur.
Este tipo de acidente representou um drama para o Papa devido às limitações que impôs à sua vida. O Papa foi assim obrigado a se acostumar com os problemas da velhice, tendo que abrir mão de suas viagens ou fazê-las mancando ou com ajuda de uma bengala.
Desde 1994 teve de se contentar a beijar o solo dos países que visitava gesto que marcou seu pontificado em um pote e não mais se ajoelhando como sempre fez em suas viagens ao redor do mundo. No ano de 2003, aos 83 anos, o Papa deixou de caminhar e seus deslocamentos eram feitos através de uma espécie de trono móvel.
Seus problemas de saúde o obrigaram a reduzir seu ritmo de trabalho e em ocasiões teve de renunciar à leitura de suas mensagens e discursos devido à debilidade de sua locução. Assim ocorreu durante as cerimônias organizadas para festejar seus 25 anos de pontificado, no dia 16 de outubro de 1978.
Atendido de forma permanente por uma equipe de médicos e especialistas, o Papa sofreu no dia 1º de fevereiro uma grave crise respiratória e, por isso, precisou ficar internado durante 10 dias. Uma recaída da crise respiratória obrigou os médicos mais uma vez optarem ontem pela internação no mesmo centro policlínico.
O temor de muitos observadores e médicos é que a recaída se deva ao agravamento do Mal de Parkinson doença que afeta o sistema nervoso central e impediria sua respiração. Os doentes de Parkinson correm o risco de asfixia quando sofrem ataques de tosse e os brônquios se enchem de mucosidade.


