Com 14 milhões nas ruas, Exército dá ultimato
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terça-feira, 02 de julho de 2013
Diogo Bercito<br>Folhapress 
Jerusalém, Israel - Em meio a manifestações em massa pedindo a saída do presidente islamita Mohammed Mursi, o Exército do Egito deu ontem um ultimato de 48 horas para que o governo solucione a crise, sob pena de uma intervenção militar. O anúncio, lido na TV estatal pelo chefe militar egípcio, general Abdel Fattah al-Sisi, diz que os protestos refletem oposição "sem precedentes" contra o governo. Não está claro qual seria a ação tomada pelo Exército, nem se exigem a saída de Mursi do poder.
A suspeita é de que se planeja um golpe contra ele, primeiro presidente eleito democraticamente da história do Egito. Seu governo acaba de completar um ano. A chegada ao poder de Mursi é um dos marcos da Primavera Árabe.
Segundo um assessor do presidente, Mursi encarou o ultimato como indicativo de um golpe. Já a Irmandade Muçulmana - partido ligado ao presidente - disse que "estuda" a situação.
Os manifestantes que há dias lotam as praças, por sua vez, receberam com loas o ultimato militar, visto como um sinal claro de apoio. Diversos soldados foram aclamados nas ruas.
Estimativas do Exército apontam que entre 14 milhões e 17 milhões de pessoas protestaram contra Mursi. Esse número, porém, não é confirmado por outras fontes.
Mursi substituiu o ex-ditador Hosni Mubarak, derrubado em 2011 pela mesma força popular que agora pede por outra revolução. Seus oponentes apontam, porém, que ele sequestrou a revolução egípcia com uma agenda islamita e aprofundou a crise econômica.
O Ministério da Saúde afirma que o saldo de mortos desde o domingo é de ao menos 16, além de 781 feridos. Ontem de manhã, o escritório da Irmandade no Cairo foi invadido e saqueado por manifestantes. Ao menos dez ministros do gabinete renunciaram, em solidariedade às manifestações.


