France PresseNo poder há 50 anosTropas do exército paraguaio protegem a sede do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral. Três ministros de Juan Carlos Wasmosy lideram manifestações de funcionários públicos pedindo o adiamento. Os colorados estão no poder há 51 anos O governista Partido Colorado do Paraguai ameaçou ontem em Assunção paralisar o país para impedir as eleições gerais, previstas para 10 de maio. Uma manifestação de protesto encabeçada por três ministros do presidente Juan Carlos Wasmosy e outros 4 mil funcionários públicos exigia perante o principal tribunal eleitoral do país o adiamento das eleições.
‘‘Não entregaremos o poder enquanto formos a maioria’’, disse à Reuter um dos líderes do protesto, o senador governista Juan Galaverna, porta-voz de uma corrente interna que obedece ao presidente do partido, Luís Arga¤a. O Partido Colorado sustenta que o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral, controlado por uma coalizão opositora, planeja uma fraude massiva sobre as votações para tirá-lo do poder, que mantêm há 51 anos.
O Tribunal se opõe veementemente a um controle das regras eleitorais e se nega a considerar o adiamento do pleito. Os colorados ameaçam cortar os serviços públicos e bloquear as estradas do país caso não consigam postergar a votação. ‘‘O Partido Colorado tem a força dos cidadãos para impor a prorrogação, dependendo do caso, por meio de mobilizações’’, explicou Galaverna. ‘‘Para adiar o pleito bastaria que o partido mobilizasse suas forças no dia das eleições para impedir pacificamente o ingresso aos locais de votação.
O Partido Colorado, com cerca de 900 mil filiados, tem em suas fileiras cerca de 48% do eleitorado, mesmo com sua integridade abalada desde o fim do ano passado. O pedido de adiamento foi avalizado por três ministros e pode ser interpretado como a postura oficial do governo paraguaio.
Com a inabilitação do ex-general Lino Oviedo como candidato colorado, o veterano político de oposição, Domingo Laíno, candidato da Aliança Democrática lidera as pesquisas. Laíno é líder do Partido Liberal Radical Autêntico e é um símbolo da resistência à ditadura de Alfredo Stroessner (1954-89), que hoje vive exilado no Brasil. Economista de profissão, ele foi candidato em 1993 e perdeu para Wasmosy, obtendo 33% dos votos. Anteriormente perdeu para Andrés Rodríguez, em 1989, em uma eleição mais formal que real.
A Aliança Democrática é formada pelo Partido Liberal Radical Autêntico, do qual Laíno é presidente e o Encontro Nacional, liderado pelo ex-prefeito de Assunção, Carlos Filizzola, candidato a vice-presidente. Tanto a pesquisa de intenção de voto do influente diário ‘‘ABC Color’’ como da cadeia integrada pelo diário ‘‘Ultima Hora’’, TV-Dois, Canal 9 e rádios Primeiro de Março e Rádio Livre, dão uma cômoda vantagem à dupla Laíno-Filizzola.
A Justiça Eleitoral inscreveu Raúl Cubas Grau como candidato oficial do Partido Colorado e também Luís María Arga¤a, como candidato à vice-presidência na chapa. Cubas Grau foi ministro da Fazenda do atual governo de Juan Carlos Wasmosy e anteriormente diretor executivo da Secretaria de Planejamento.
Arga¤a é presidente do Partido Colorado e saiu derrotado nas primárias de seu partido frente a Oviedo, condenado a 10 anos de prisão e forçado a uma baixa desonrosa do exército paraguaio. Durante a ditadura de Stroessner, Arga¤a foi presidente da Corte Suprema de Justiça.

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