O situacionista Partido Colorado paraguaio está baseando sua estratégia da última fase da campanha eleitoral no tradicional cuidado com o voto cativo, constituído pelo funcionalismo público, em sua grande maioria filiado ao partido governista desde a época da ditadura do general Alfredo Stroessner.
Até algumas semanas atrás, o funcionalismo estatal, como força eleitoral, era manejado pelo presidente Juan Carlos Wasmosy, através das lideranças que ocupam postos na administração pública. Quando o governo lutava para adiar as eleições gerais de 10 de maio, os funcionários abandonaram o trabalho e se manifestaram neste sentido na sede da Justiça Eleitoral.
Em menos de uma semana a situação mudou. Agora os funcionários vão se alinhando lentamente em torno do presidente do partido, Luís María Arga¤a, que apesar de haver sido derrotado nas primárias de seu partido é o atual candidato a vice-presidente.
A mensagem do Partido Colorado a esta poderosa força eleitoral é que votar nos candidatos do partido significa conservar seu posto de trabalho. E votar na Aliança Democrática é permitir que um opositor ocupe seu lugar na administração pública.
Atualmente existem 200 mil funcionários públicos no Paraguai, para uma população de 5 milhões de habitantes e 2 milhões de eleitores. Neste país, cujo principal problema social é o desemprego, calcula-se que o salário de um funcionário público sustenta pelo menos três pessoas adultas. Isso significa que no setor público o Partido Colorado tem um mínimo de 500 mil votos cativos, 25% do eleitorado. O Estado é considerado como a maior agência de empregos do país, monopolizada pelo Partido Colorado desde 1947.
A Aliança Democrática está realizando um esforço de propaganda para tranquilizar os funcionários públicos, garantindo que não serão demitidos se o Partido Colorado deixar o poder. Na segunda-feira, a oposição fechou um acordo com uma corrente colorada formada por ex-funcionários e técnicos dissidentes para enviar uma mensagem tranquilizadora ao funcionalismo. Esta corrente é encabeçada pelo engenheiro Miguel Otazú, ex-presidente da Administración Nacional de Electricidad (ANDE), cuja administração firmou o primeiro contrato coletivo com o sindicato de trabalhadores da categoria.

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