Colorados festejam vitória de Cubas
Candidato que teve apenas três semanas para se consolidar é eleito presidente do Paraguai na terceira derrota de Laino
José Antônio Pedriali
Enviado a Assunção

Daniel Luna/France Presse
No lugarCubas Grau: vitória liberta Oviedo e estabelece período negro para WasmosyAs primeiras salvas de rojão foram disparadas às 15 horas (16 horas de Brasília); uma hora depois, caravanas de colorados festejavam no centro e em todas as partes de Assunção. Uma hora depois começou o carnaval. A se confirmar as pesquisas, o Partido Colorado, que está há 54 anos no poder no Paraguai, terá o controle do governo por mais cinco anos. Cerca de 90% dos eleitores compareceram.
Raul Cubas Grau obteve, segundo as pesquisas, 43,8% contra 37,8% de Domingo Laino, da Aliança Democrática, que disputou a Presidência pela terceira vez. Os colorados retomaram o controle do Senado, que estava em mãos da oposição, elegeram 24 senadores. A Aliança elegeu 21. Para a Câmara dos Deputados, cada um elegeu cinco representantes por Assunção.
A se confirmar a vitória dos colorados, o grande vencedor das eleições terá sido o general de reserva Lino Oviedo. Pois a promessa de libertação do general - preso por determinação de um tribunal militar especial - foi o que alavancou a candidatura de Cubas Grau. O candidato colorado irrompeu na política conduzido por Oviedo que disputou e venceu, em setembro passado, a indicação do Partido Colorado para concorrer à Presidência. Venceu, mas não levou: o presidente Juan Carlos Wasmosy, seu desafeto, embora do Partido Colorado, submeteu-o a um tribunal militar sob a acusação de tentativa de golpe de Estado, que teria ocorrido em abril de 1996 - um episódio até hoje nebuloso. O tribunal sentenciou Oviedo a 10 anos de prisão, e a Suprema Corte referendou a sentença.

Foto de Daniel Piris/France Presse
Baseado nesta decisão, a Justiça Eleitoral anulou a candidatura de Oviedo, e Cubas, que era vice na chapa, passou então a representar os colorados, e teve apenas três semanas para consolidar sua candidatura.
Se Oviedo é vencedor, Wasmosy é o derrotado. Seu governo não só foi incapaz de reverter a tendência declinante da economia como contribuiu para agravar ainda mais os índices de inflação e desemprego. Oito por cento dos paraguaios estão desempregados.
Ao romper com Oviedo e conduzi-lo à prisão, Wasmosy fez uma aposta de alto risco, já que entrou em confronto aberto com a maior parte da cúpula simpática - mais fanática - à causa do general Oviedo. Wasmosy apostou e perdeu. E esta derrota, além de significar o fim melancólico de seu governo e comprometer seu futuro político, poderá prejudicá-lo pessoalmente. Pois, além de prometer a liberdade a Oviedo, Cubas ameaçou prender Wasmosy, por corrupção e por violar a Constituição no caso Oviedo.
O mandato de Wasmosy termina em 15 de agosto. Quarenta e cinco dias antes tomará posse o novo Congresso - e, nesse período, os colorados poderão submeter Wasmosy a um julgamento político como primeiro passo para entregá-lo à Justiça.
Quais as consequências políticas da vitória de Cubas? A primeira será sentida pelo seu adversário, Laino. O Partido Liberal, ao qual Laino está filiado, e que se apresentou coligado ao Partido do Encontro Nacional, terá de buscar um novo líder.
A estrutura do poder não deverá ter grandes mudanças, mas ninguém duvida que, uma vez obtida a libertação de Oviedo, ele será o homem forte do governo. Mas alguns líderes colorados o querem na presidência do partido, de onde poderá manipular Cubas e o Ministério na condição de dirigente de um partido que se confunde com o próprio governo.

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