O governista Partido Colorado iniciou ontem em Assunção uma convenção extraordinária que pode tirar do general da reserva Lino Oviedo a candidatura presidencial pela agremiação nas eleições paraguaias de 10 de maio. Os convencionais do partido podem ainda aprovar um pedido oficial para que as eleições sejam adiadas por pelo menos 60 dias.
Oficialmente, porém, o motivo alegado para a convocação extraordinária foi outro: debater a expulsão de um deputado, Conrado Pappalardo, acusado de ‘‘trair a doutrina partidária’’.
Segundo seus acusadores, Pappalardo fez um acordo com o oposicionista Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) para tentar evitar o adiamento das eleições. O deputado já foi acusado por organizações esquerdistas do Paraguai e do Chile de ter participado - na década de 70, nos EUA - da preparação do atentado contra o ex-chanceler chileno Orlando Letelier.
De acordo com o presidente do Partido Colorado, Luis María Arga¤a, qualquer um dos convencionais que debateriam o futuro de Pappalardo poderia pedir a ampliação da pauta da convenção extraordinária para discutir também a nomeação de um novo candidato para substituir Oviedo.
O general da reserva, ex-comandante das Forças Armadas e autor de uma tentativa de golpe contra o presidente Juan Carlos Wasmosy em abril de 1996, está preso há mais de dois meses num quartel em Assunção sob a acusação de rebelião. Em setembro, ele havia derrotado Arga¤a na convenção que escolheu o candidato presidencial do partido.
Desde então, advogados de Wasmosy e de Arga¤a vêm buscando meios legais para evitar que Oviedo chegue à presidência. As principais acusações contra o general na Justiça Militar são de rebelião e insubordinação. Se declarado culpado, ele pode ser sentenciado entre 5 e 25 anos de prisão. Mas a condenação por juízes militares não o tornaria inelegível.
Em meio à turbulência política causada pela candidatura Oviedo, parlamentares colorados ligados a Wasmosy chegaram a afirmar que o presidente adiaria as eleições e entregaria o poder para uma junta militar depois do fim de seu mandato. Preocupado com a repercussão da medida entre os sócios comerciais do Paraguai no Mercosul - Brasil, Argentina e Uruguai -, Wasmosy desmentiu a afirmação.

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