Jerusalém- Apesar do anúncio do governo israelense de que irá congelar por dez meses a construção de novas casas na Cisjordânia, num esforço para reavivar o processo de paz, os canteiros de obras não deverão ficar parados nem por um dia nos territórios palestinos ocupados.
Revoltados com a decisão e temerosos de que o congelamento possa se perpetuar por pressão externa, o movimento dos colonos judeus na Cisjordânia pretende não só acelerar a construção de 3.000 unidades habitacionais já aprovadas, mas dar início a novos projetos.
Num desafio frontal ao anúncio feito anteontem pelo premiê israelense, Binyamin Netanyahu, a liderança dos colonos decidiu ontem que continuará a ampliar os assentamentos na Cisjordânia, com ou sem permissão do governo.
''O congelamento da construção é um passo imoral, antijudeu e antissionista, que acelera a criação de um Estado palestino e representa um risco existencial ao Estado de Israel'', afirmou ao jornal ''Yediot Aharonot'' o Conselho da Judeia e Samaria (nomes bíblicos da Cisjordânia).
Cerca de 300 mil colonos judeus vivem em mais de cem assentamentos na Cisjordânia, território ocupado por Israel em 1967 e reivindicado pelos palestinos para ser parte de seu futuro Estado independente.
O ministro da Defesa, Ehud Barak, orientou ontem o Exército a se preparar para fiscalizar o congelamento das colônias.
Barak advertiu que a retomada das conversas de paz não deve ser imediata, pois depende de um plano de ação a ser apresentado pela Casa Branca.
Irritada, a Autoridade Nacional Palestina diz que o alcance limitado do congelamento e a decisão de manter a construção em Jerusalém Oriental indicam a falta de seriedade de Israel em alcançar um acordo.

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