Sob o fogo e as ameaças da guerrilha esquerdista, empenhada em impedir eleições municipais que considera uma ‘‘fraude da oligarquia’’, os colombianos vão às urnas hoje, chamados pelo presidente Ernesto Samper a derrotar os violentos. Nunca na história da Colômbia uma votação está sendo tão ameaçada pelas diferentes formas de violência que assolam este país latino-americano, de reconhecida tradição democrática.
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc-marxistas), do Exército de Libertação Nacional (ELN-guevarista) e dos grupos para-militares de extrema direita sustentam uma sangrenta campanha terrorista para sabotar as eleições. A violência custou a vida de 38 candidatos. Outros 1.879 cederam às ameaças.
A situação obrigou o governo de Samper a recorrer à Organização de Estados Americanos (OEA) e outros países amigos, para que enviassem delegados que atuem como observadores nas eleições, nas quais se elegerão 32 governadores, 1.071 prefeitos e cerca de 15.000 membros de corporações departamentais, municipais e locais.
A guerrilha, que exigia observadores para, segundo os rebeldes, acompanhar a ‘‘fraude’’ eleitoral, sequestrou há três dias dois dos delegados da ONU, o chileno Raúl Martínez e o guatemalteco Manfredo Marroquín, junto com o colombiano Carlos Alirio Buitrago, defensor dos direitos humanos. Sexta-feira, oito pessoas morreram em atentados.
Há mais de 122 mil militares e policiais em estado de alerta máximo. O governo acredita que a maioria dos 20 milhões habilitados para votar vai às urnas.

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