A maioria dos camponeses colombianos que fogem dos grupos paramilitares de direita e se refugiam na Venezuela acha que seu país os esqueceu. Muitos acreditam que o presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, não buscou com verdadeiro interesse uma solução para a violência iniciada contra eles por considerar que os camponeses são ‘‘inimigos’’, devido a seus aparentes laços com os grupos guerrilheiros de esquerda.
Ao longo dos 2.200 quilômetros de fronteira entre Colômbia e Venezuela, centenas de colombianos buscam refúgio temporário em território venezuelano para fugir dos ataques cada vez mais frequentes dos grupos paramilitares.
Nesses refúgios, a maior parte dos colombianos deixa cicatrizar suas feridas e acalmar seus temores para tentar novamente, com muita incerteza, o retorno à sua terra devastada.
Devido à falta de dinheiro, à nostalgia e à falta de ajuda das autoridades de ambos os países, os refugiados voltam à Colômbia para tentar reconstruir suas vidas, mesmo sabendo que podem ser vítimas de um novo ataque dos grupos fora-da-lei.
‘‘Os paramilitares buscam nosso extermínio’’, disse à Associated Press Aurelio Quiceno, um camponês de 55 anos que conseguiu se salvar atravessando a fronteira ao lado de sua esposa e de seus oito filhos.
‘‘São animais raivosos. Chegaram queimando as casas e despedaçando com motosserras tudo o que viam pela frente, as camas, mesas, roupas e bichos – vacas e galinhas’’, relatou. ‘‘Em minutos, perdi tudo o que conquistei com meu trabalho desde que ali cheguei, em 1969.’’
O drama de Quiceno é um dos muitos ocorridos entre os cerca de 500 camponeses foragidos da Colômbia, há poucas semanas, após um feroz ataque dos paramilitares.
Os colombianos, alguns dos quais admitem cultivar folha de coca em pequena escala, fugiram dos povoados às margens do Río de Oro, no extremo leste da Colômbia, após uma ofensiva de esquadrões paramilitares na região.
Muitos chegaram à Venezuela a conta-gotas em canoas, abrindo passagem pela selva, cruzando terrenos escarpados, suportando o sufocante calor e assédio de seus atacantes.

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