Colômbia vota e sonha
com o fim da violência
Agência Folha
France PresseSerpa, candidato governistaO próximo presidente da Colômbia, cuja eleição começa hoje com o primeiro turno, terá como prioridade a condução de um processo de paz que coloque fim à guerra civil no país, onde conflitos entre grupos guerrilheiros, organizações paramilitares e as Forças Armadas mataram cerca de 6.000 pessoas em 97.
O número total de mortes violentas chega a cerca de 30 mil por ano na Colômbia, incluídos os assassinatos cometidos pelo narcotráfico e por delinquentes comuns. Durante a última década houve, em média, 1.300 sequestros anuais. Cerca de 250 mil colombianos abandonaram suas casas por causa da violência desde 95.
Em novembro do ano passado, ONGs (organizações não-governamentais) e entidades da sociedade civil aproveitaram a realização de eleições estaduais e municipais para consultar o eleitorado sobre a busca de uma solução negociada para o conflito no país. No plebiscito, 8 milhões (o país tem cerca de 21 milhões de eleitores, mas a taxa de comparecimento às urnas é tradicionalmente baixa) manifestaram-se contra a violência e outorgaram ao futuro presidente um ‘‘mandato pela paz’’, ou seja, a responsabilidade de liderar o processo de pacificação.
Os três candidatos com chances de passar para o segundo turno já disseram que vão negociar diretamente com os líderes guerrilheiros e paramilitares e que o diálogo começará no primeiro dia de governo, em 7 de agosto próximo.
Apesar de haver 13 candidatos a presidente, somente três - Andrés Pastrana, do Partido Conservador, Horacio Serpa, do Partido Liberal, e Noemí Sanín, do movimento independente Opção Vida - têm possibilidades de chegar à Presidência da Colômbia.
Segundo pesquisas divulgadas anteontem, Pastrana tem entre 32% e 38% das intenções de voto. Serpa teria entre 26% e 29%, e Sanín, cujo crescimento ocorreu nos últimos dias, entre 21% e 23%.
O segundo turno será em 21 de junho, caso nenhum candidato obtenha maioria simples hoje.
Um novo esforço pela paz tornou-se ainda mais urgente devido ao imobilismo do atual governo. O presidente Ernesto Samper (Liberal) perdeu credibilidade apenas dois dias depois de eleito, em 94, devido à denúncia de que o narcotráfico, outro problema endêmico do país, teria contribuído com US$ 6 milhões em sua campanha.
Feita por Andrés Pastrana, que ficou em segundo lugar nas eleições presidenciais de 94, a denúncia foi comprovada após investigações, mas Samper foi isentado de responsabilidade e conseguiu escapar do impeachment.
Desmoralizado, o presidente tentou negociar a paz, mas os dois principais grupos guerrilheiros do país, as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o ELN (Exército de Libertação Nacional), disseram que ele não tinha autoridade.

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