Bogotá - Os colombianos escolhem seu novo presidente no próximo domingo. Novo não. Ao que tudo indica, Alvaro Uribe, o atual presidente, será reeleito ''ainda no primeiro turno'' para mais quatro anos no poder. Na última pesquisa, do Instituto Opinómetro, publicada no jornal ''El Tiempo'', Uribe aparece com 58,5% das intenções de voto, quase cinco vezes o índice do segundo colocado, Carlos Gaviria, que tem apenas 12,8% das intenções.
As eleições na Colômbia compõem o quadro dos 16 pleitos que estão acontecendo desde dezembro em toda a América Latina. As eleições colombianas, porém, trazem uma diferença bem grande. Para começar, o país não está dando a tal guinada à esquerda, como aconteceu na Bolívia, por exemplo, mas, sim, reelegendo um governo de direita.
O presidente implementa uma política econômica bastante liberal, com reformas nas leis trabalhistas, e está deixando adiantado um acordo de livre comércio com os Estados Unidos. Além disso, não quer nem conversa com o presidente venezuelano, Hugo Chávez.
Apesar da receita que, de um modo geral, não tem agradado muito os latinos, a razão para o sucesso de Uribe é fácil de detectar: sua política bem-sucedida de combate à violência. O país já viveu dias muito mais duros, com sequestros em sequência e assassinatos.
Ainda que os números da violência continuem ruins, os crimes na capital, Bogotá, e também no restante do país têm caído bastante. Este ano, os colombianos estão comemorando a redução dos sequestros com caráter político-eleitoral de 507, em 1998, para somente sete.
Na Colômbia, há mais de 26 milhões de eleitores, mas o voto não é obrigatório. Mesmo com a não obrigatoriedade e com a vitória praticamente certa de Uribe, muitos eleitores já decidiram votar, como e o caso do taxista Tito Jiménez: ''Sou Uribe. Vou votar nele porque foi o único presidente que teve coragem de resolver dois problemas muito sérios na Colômbia: a violência e a corrupção''.
Este é o discurso que se ouve por todas as partes. A política de Uribe parece estar agradando tanto que sua campanha tem como slogan ''Adelante, presidente'', ou seja: ''Avante, presidente'', reforçando a idéia de continuidade de seu governo.
O segundo colocado, Carlos Gaviria, é um professor alinhado com as idéias de esquerda. Entre suas principais propostas está uma consulta pública para ver se os colombianos concordam ou não com a assinatura do tratado de livre comércio com os EUA.
Também propõe cancelar a reforma trabalhista que vem sendo implementada. Aliás, quanto à questão do trabalho, esta também é a proposta do candidato em terceiro nas intenções de voto, Horacio Serpa, um congressista do Partido Liberal pela terceira vez concorrendo à Presidência. ''Uribe foi muito bom, mas vou votar em Serpa porque ele pretende acabar com a reforma trabalhista. Quando Uribe fez a reforma, dizia que era preciso mudar as leis para ter mais postos de trabalho, mas isso não aconteceu'', diz o recepcionista Enrique Sarkar, que trabalha na cidade turística de Cartagena.

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