Colômbia tenta retomar negociações
Associated Press
De Bogotá
As negociações de paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) seriam retomadas ontem, horas depois ter sido concluída uma ofensiva guerrilheira contra 13 municípios, na qual morreram mais de 50 combatentes, entre rebeldes e integrantes das forças de segurança. A maior batalha foi travada em Puerto Inírida, povoado da bacia amazônica fronteiriça com o Brasil, atacada anteontem por mais de mil guerrilheiros.
Tropas de infantaria da marinha, do exército e da polícia, apoiadas por aviões de combate, rechaçaram o ataque, no qual um infante morreu e outras oito pessoas ficaram feridas, informou o comandante da polícia local. O combate durou 15 horas e terminou na madrugada de ontem, com o recuo dos guerrilheiros. No contra-ataque aéreo morreram mais de 40 insurgentes, disse o comandante do exército, general Jorge Enrique Mora.
As Farc atacaram também outros 12 municípios entre terça-feira e a madrugada de quarta. Sete policiais morreram em Dolores e Prado, que ficaram praticamente destruídos. Os guerrilheiros utilizaram até um cachorro-bomba para atacar a delegacia de polícia do município de Prado. Os guerrilheiros amarraram uma granada na barriga de um cão e o enviaram a esse objetivo, afirmou o diretor da polícia nacional, general Rosso José Serrano.
A ofensiva guerrilheira ocorreu uma semana depois que o presidente Andrés Pastrana pediu uma trégua de Natal e de Ano Novo, entre 15 de dezembro e 15 de janeiro.
A inteligência militar disse ter informações de que a guerrilha intensificará seus ataques nos próximos dias, com forças treinadas na zona de distensão de 42 mil quilômetros quadrados no sudoeste da Colômbia, e onde estão sendo realizadas as negociações.
Com esse pano de fundo, seis delegados do governo e três das Farc dariam início ontem à terceira rodada de negociações, na zona desmilitarizada de San Vicente del Caguán. O objetivo do encontro é organizar as reuniões públicas para dar início à agenda de reformas econômicas, políticas e sociais, e talvez buscar um acordo sobre a trégua de fim de ano, que a guerrilha tem condicionado à suspensão da extradição de narcotraficantes e à solução dos problemas sociais do país.





