Quando os presidentes dos 21 países ibero-americanos se reunirem no Panamá nos próximos dias 17 e 18, para tratar dos problemas da infância e adolescência, cerca de 6.000 crianças na Colômbia estarão combatendo nas guerrilhas esquerdistas ou em grupos paramilitares de extrema-direita, segundo dados oficiais. A cifra é apenas uma pequena mostra da participação que têm os menores no conflito armado colombiano, que há mais de quatro décadas afeta o país, mas que, nos últimos anos, degradou-se ao ponto de atingir sensivelmente a condição da população infantil.
Segundo um informe da Agência de Notícias do Exército colombiano, ‘‘cerca de 6.000 meninos e meninas continuarão vestindo a única roupa que conhecem desde cedo: seu traje de guerrilheiros ou forças paramilitares, substituindo os brinquedos e a diversão por tarefas próprias de uma guerra na qual não pediram para participar’’. Um informe da Organização das Nações Unidas para a Infância (Unicef) destacou que ‘‘o emprego de crianças nas fileiras guerrilheiras inclui sua participação em combates com as tropas regulares, a realização de trabalhos de inteligência, a fabricação artesanal de minas antipessoais e outras tarefas menores de vigilância, recolhimento de lenha e cozimento de alimentos’’.
Segundo um informe de 1996 da Defensoria do Povo, em algumas unidades da guerrilha pelo menos 30% são de crianças. O Exército, por sua parte, ‘‘comprovou que as meninas são induzidas a uma espécie de prostituição disfarçada’’. Além disso, ainda há a situação de pelo menos 553.000 menores de 18 anos que fazem parte das mais de 2.000.000 pessoas que perderam suas casas ou fugiram do conflito armado na Colômbia, de acordo com o último informe da Consultoria para os Direitos Humanos e Pessoas Deslocadas (Codhes).
De acordo com o Exército, ‘‘no correr do ano 34 menores morreram em controles ilegais da guerrilhas, em ataques com morteiros caseiros, em campos minados, ao serem atingidos por balas perdidas ou em massacres indiscriminados’’. ‘‘Outros 37 ficaram feridos em circunstâncias, enquanto que sete morreram ao manipular artefatos explosivos abandonados pela guerrilha e mais três se encontram desaparecidos’’, indica o informe. ‘‘Vinte menores guerrilheiros morreram em enfrentamentos com unidades militares e 142 pertencentes às guerrilhas, os grupos paramilitares ou à delinquência comum, foram capturados pelo Exército nos primeiros dez meses do ano’’.
Às vítimas do conflito se soma a morte de seis menores em fatos ocorridos em 15 de agosto passado, quando tropas do Exército os confundiram com guerrilheiros em uma zona rural do departamento de Antioquia (noroeste). Outros dois ficaram feridos. Informes oficiais assinalam que ‘‘360 crianças desvinculados dos grupos armados ilegais se encontram sob a proteção do estatal Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar (Icbf), em um esforço coordenado do Estado para ressocializá-lo’’.
O informe do Exército indicou também que ‘‘em vários departamentos do centro e nordeste do país, ‘‘alguns pais preferem colocar seus filhos menores nas mãos do Icbf, a fim de impedir que grupos à margem da lei os recrutem’’.

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