Colômbia se esforça na busca pela paz
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segunda-feira, 01 de janeiro de 2001
France Presse De Bogotá 
A Colômbia fechou o ano 2000 com a intensificação de um conflito armado desesperador para a população civil, que vê com poucas esperanças os esforços de paz do presidente Andrés Pastrana, pressionado também pelo receio de seus vizinhos em relação ao Plano Colômbia de luta contra as drogas.
Dois anos depois de ter levado para a mesa de diálogo a principal guerrilha do país a marxista Força Revolucionária da Colômbia (FARC) , a quem entregou o controle de 42 mil km2 ao sul do território nacional, o governante conservador ainda não viu recompensado seus esforços para pôr fim a quatro décadas de conflito.
O grupo guerrilheiro congelou o diálogo no último dia 14 de novembro, por considerar que o Governo não combate decididamente os paramilitares de direita. Pastrana decidiu em 7 de dezembro prorrogar a vigência legal da zona de distensão, mas por somente 56 dias, até o próximo 31 de janeiro, como uma forma de pressionar o reinício das negociações.
À margem da negociação de paz, o governo e o grupo marxista chegaram a um acordo para efetuar um intercâmbio humanitário de dez militares e policiais doentes que são reféns dos rebeldes pelo mesmo número de guerrilheiros presos, o que poderia abrir o caminho para a libertação de cerca de 500 uniformizados em poder das FARC em troca da saída das prisões de um número igual de rebeldes.
Entretanto, o conflito está deixando seu histórico âmbito rural e vem ganhando cada vez mais o terreno das cidades, sem que as Forças Armadas possam oferecer uma proteção efetiva à população frente aos distintos grupos armados, que cada vez mais envolvem em sua guerra os civis que consideram como auxiliadores ou simpatizantes de seus rivais.
Para o aumento da guerra participam também a segunda força rebelde, o guevarista Exército de Libetação Nacional (ELN), e as paramilitares Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC).
O ELN já sabotou a infra-estrutura petrolífera e elétrica, uma decisiva arma de pressão que combinou, para fazê-la ainda mais demolidora, com o sequestro maciço de civis, com o objetivo de obter as condições que deseja para se sentar e dialogar com o Governo.
No dia 24 de dezembro, esse grupo rebelde libertou 42 uniformizados que mantinha como reféns alguns há mais de dois anos , depois de chegar em Cuba a um pré-acordo com o Governo de Pastrana para a desmilitarização de uma zona ao norte do país e iniciar um processo de paz.
As AUC, que justificam sua existência pela intensificação das ações dos rebeldes, operam em alguns casos protegidos, por ação ou omissão, do Exército, também tem feito do sequestro um instrumento de luta política. Em outubro sequestraram sete congressistas do opositor Partido Liberal para recusar a troca dos uniformizados proposta pelas FARC.
Estas três forças que em conjunto somam cerca de 25 mil homens, mulheres e inclusive centenas de menores de idade bem armados manifestam suas presenças em três quartos do território nacional, enfrentando-se não somente pelo controle territorial, mas também pelos cultivos de folha de coca e de papoula (matérias-primas da cocaína e da heroína).


