Associated Press
De Bogotá
Um dos principais líderes do outrora poderoso cartel de Medellín, Fabio Ochoa Vásquez, foi preso ontem na Colômbia como resultado de uma operação multinacional que contou com a participação de autoridades do México e do Equador e com o apoio dos EUA. Outras 30 pessoas foram detidas, nos três países latino-americanos.
A quadrilha desbaratada embarcava 20 toneladas de cocaína por mês para o território americano, segundo a polícia.
‘‘Essa foi uma operação imensa que pode ser chamada de perfeita’’, declarou o chefe da Polícia Nacional da Colômbia, Rosso José Serrano, depois de informar o presidente colombiano, Andrés Pastrana, sobre a prisão de Ochoa. Serrano ressaltou a participação da DEA e da CIA (respectivamente, as agências americanas antidrogas e de espionagem) na ação policial que ganhou o nome de código ‘‘Milênio’’.
Em Washington, a secretária de Justiça dos EUA, Janet Reno, concedeu entrevista coletiva para informar sobre os resultados da Operação Milênio. Ela afirmou que a ‘‘colaboração sem precedentes’’ das autoridades colombianas com os EUA permitiu a captura dos 31 narcotraficantes. Reno acrescentou esperar que a operação produza ainda novas prisões nos próximos dias.
Além de Ochoa, entre os detidos da Operação Milênio está Alejandro Bernal, pouco conhecido fora da Colômbia, mas acusado de liderar o maior grupo traficante que atua na capital do país, Bogotá.
Antes da operação de ontem, a última grande ofensiva da polícia colombiana contra o narcotráfico tinha ocorrido em 1995, quando foram presos os irmãos Miguel e Gilberto Rodríguez Orejuela, líderes do cartel de Cali.
A prisão de Fabio Ochoa ocorreu na madrugada de ontem, na casa do traficante, em Medellín. Nos anos 80, ele integrou com seus irmãos Juan David e Jorge Luis o subgrupo narcotraficante conhecido como ‘‘clã Ochoa’’. Durante vários anos, os três estiveram associados ao cartel de Medellín, liderado por Pablo Escobar Gaviria – morto durante uma perseguição policial em dezembro de 1993.
Em 1991, após a decretação de uma lei que oferecia benefícios penais a traficantes que se rendessem, os irmãos Ochoa entregaram-se às autoridades, foram transferidos para uma penitenciária de segurança máxima próxima de Medellín e receberam penas de cerca de 8 anos de prisão. Pela colaboração com a Justiça e bom comportamento, foram libertados após o cumprimento de dois terços da pena.
‘‘Sou inocente, juro pelos meus filhos’’, disse Fabio Ochoa, de 42 anos, ao ser preso. ‘‘Essa é a maior injustiça do mundo’’, queixou-se o pai do traficante, também chamado Fabio. ‘‘Alguém acredita que um homem que já tenha cumprido sua sentença volte a se meter com isso?’’
Ochoa enfrenta uma acusação num tribunal federal de Miami de tráfico de drogas, além de ser suspeito do assassinato do informante policial Barry Seal, em 1986, em Baton Rouge, no Estado da Louisiana. ‘‘Ele é um dos mais violentos entre os violentos’’, assegurou Tom Cash, chefe do Departamento de Luta contra as Drogas de Miami até 1995. ‘‘Na verdade, ‘violência’ é o sobrenome dele.’’
Em Miami, nenhuma autoridade judicial federal quis comentar a respeito de um possível pedido para extraditar Fabio Ochoa.
De acordo com dados da DEA, a Colômbia produz 80% de toda a cocaína consumida no planeta, além de 6 toneladas de heroína de alto grau de pureza todos os anos.Desbaratada rede internacional de tráfico de drogas. Operação multinacional contou com a participação do México, Equador e EUA
France PresseDrogasOs acusados são apresentados em Bogotá. A secretária Janet Reno (destaque) promete mais prisõesFrance PresseFabio Ochoa jura inocência

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