Santa Fé de Ralito, Colômbia - Sob uma gigantesca lona azul, semelhante a dos circos, e em meio a um calor sufocante, o governo colombiano e os paramilitares instalaram ontem uma histórica negociação de paz - um processo considerado irreversível pelos dois lados, para desmobilizar 20.000 combatentes.
Depois de quatro dias de tensão devido ao sequestro, por um comando paramilitar, do ex-senador José Gnecco - libertado quarta-feira - o alto comissário para a paz do governo, Luis Carlos Restrepo, e o líder máximo dos grupos de extrema-direita, Salvatore Mancuso, apertaram-se as mãos dando início à cerimônia de instalação do diálogo.
Depois dos discursos das autoridades locais, o chefe militar das AUC afirmou que sua organização estava dando ontem ''um passo definitivo e irreversível para a paz''.
''A partir de hoje, traça-se uma linha irreversível entre o antes e o depois'', sentenciou Mancuso, um homem alto e corpulento que interrompeu várias vezes o discurso para beber água e limpar o suor da cabeça raspada ao estilo militar.
Restrepo afirmou por sua vez que o ato desta quinta-feira representa ''o ponto de partida para a desmobilização definitiva das Autodefesas'', tendo sido enfático ao afirmar que o processo de paz exige como condição o cumprimento total do fim das hostilidades declarado pelas AUC e o abandono das atividades do narcotráfico.

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