Colômbia não tem pistas de sequestrados
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terça-feira, 13 de abril de 1999
Reuters 
Unidades de elite do Exército e da polícia da Colômbia realizavam ontem intensas buscas numa remota região do norte do país na tentativa de localizar as 46 pessoas que estavam a bordo de um avião Fokker 50 da companhia Avianca, sequestrado na véspera.
Apesar do esforço, as autoridades não tinham ontem à tarde nenhuma pista nem sobre o paradeiro dos passageiros nem sobre os autores de uma das mais ousadas operações terroristas do país dos últimos anos.
O avião tinha partido na segunda-feira de manhã de Bucaramanga, no nordeste colombiano, para um vôo de cerca de uma hora até a capital do país, Bogotá. Aproximadamente 20 minutos depois da decolagem, porém, os controladores de tráfego aéreo perderam contato com a tripulação e declararam o Fokker desaparecido.
Horas depois, o avião foi localizado numa pista clandestina perto do povoado de Vijagual, a noroeste da rota prevista, numa região de floresta da Cordilheira dos Andes. O Fokker, porém, estava vazio e com os pneus furados.
Policiais e soldados do Exército que sobrevoaram a área após o anúncio do desaparecimento do avião disseram ter visto homens uniformizados e fortemente armados trasladando os ocupantes do Fokker para lanchas às margens de um afluente do Rio Magdalena.
Entre os passageiros sequestrados estão um deputado federal do governista Partido Conservador, o prefeito de uma pequena cidade do norte do país, uma criança de 3 meses e um cidadão italiano - único estrangeiro do grupo -, de 76. Além das patrulhas que estão incursionando nas matas, as autoridades militares montaram bloqueios ao longo de todo o Rio Magdalena.
Sem nenhuma evidência sobre a ação, os investigadores analisam as mais variadas suposições sobre as circunstâncias do sequestro. Aparentemente, a captura do avião foi realizada por algum grupo esquerdista, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ou o Exército de Libertação Nacional (ELN), que exercem forte influência na área onde o Fokker foi encontrado.
Uma das teorias é a de que esses dois grupos atuaram conjuntamente no sequestro. Mas, segundo fontes de imprensa, o serviço de inteligência da Colômbia descarta a hipótese de que as Farc - que iniciou negociações de paz com o governo em janeiro, embora o diálogo esteja paralisado atualmente - tenham participado da ação.
Outros especialistas atribuem o sequestro a um golpe de propaganda do ELN, que, assim, estaria dando ao governo uma demonstração de que mantém sua capacidade militar.


