Colômbia não romperá diálogo com as Farc
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quarta-feira, 17 de maio de 2000
France Presse De Bogotá 
O alto comissário para a paz do governo colombiano, Camilo Gómez, afirmou ontem que de parte das autoridades não será rompido o processo de negociações com a guerrilha marxista das Farc, acusada por militares de ter assassinado com um colar-bomba uma mulher que se negou a pagar uma extorsão.
Por parte do governo, não haverá rompimento das conversações. Temos dito que queremos buscar a paz através do diálogo, da solução política, da justiça social e a construção de um país novo para todos os colombianos, disse Gómez aos jornalistas.
O porta-voz da guerrilha das Farc, Raúl Reyes, disse ontem numa entrevista que a decisão do presidente colombiano, Andrés Pastrana, de suspender um encontro internacional sobre as plantações de coca e o meio ambiente é muito ruim para o processo de paz as partes conduzem.
A decisão do presidente é muito ruim para o processo; não há seriedade de sua parte, assinalou o comandante rebelde ao jornal El Espectador.
Reyes, também negociador de paz das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, marxistas), acrescentou que essa guerrilha tem uma política definida de buscar tudo o que dela depender para evitar mais confronto, mas para isso tem que contar com um interlocutor que deve ser sério e responsável, que cumpra os compromissos.
Pastrana anunciou ontem a suspensão do encontro internacional como reação à morte, segunda-feira, de Elvia Cortés, proprietária de uma fazenda que suportou durante mais de seis horas um colar repleto de explosivos que, segundo o governo e os militares, os rebeldes das Farc colocaram em seu pescoço por se negar a pagar uma extorsão.
Reyes e outros líderes guerrilheiros negaram enfaticamente ter cometido o crime, atribuíram o fato a forças que querem prejudicar o processo de paz e reiteraram que vão continuar na mesa de negociações com o governo.


