O alto comissário para a paz do governo colombiano, Camilo Gómez, afirmou ontem que ‘‘de parte das autoridades’’ não será rompido o processo de negociações com a guerrilha marxista das Farc, acusada por militares de ter assassinado com um colar-bomba uma mulher que se negou a pagar uma extorsão.
‘‘Por parte do governo, não haverá rompimento das conversações. Temos dito que queremos buscar a paz através do diálogo, da solução política, da justiça social e a construção de um país novo para todos os colombianos’’, disse Gómez aos jornalistas.
O porta-voz da guerrilha das Farc, Raúl Reyes, disse ontem numa entrevista que a decisão do presidente colombiano, Andrés Pastrana, de suspender um encontro internacional sobre as plantações de coca e o meio ambiente é ‘‘muito ruim’’ para o processo de paz as partes conduzem.
‘‘A decisão do presidente é muito ruim para o processo; não há seriedade de sua parte’’, assinalou o comandante rebelde ao jornal El Espectador.
Reyes, também negociador de paz das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, marxistas), acrescentou que essa guerrilha ‘‘tem uma política definida de buscar tudo o que dela depender para evitar mais confronto, mas para isso tem que contar com um interlocutor que deve ser sério e responsável, que cumpra os compromissos’’.
Pastrana anunciou ontem a suspensão do encontro internacional como reação à morte, segunda-feira, de Elvia Cortés, proprietária de uma fazenda que suportou durante mais de seis horas um colar repleto de explosivos que, segundo o governo e os militares, os rebeldes das Farc colocaram em seu pescoço por se negar a pagar uma extorsão.
Reyes e outros líderes guerrilheiros negaram enfaticamente ter cometido o crime, atribuíram o fato a ‘‘forças que querem prejudicar o processo de paz’’ e reiteraram que vão continuar na mesa de negociações com o governo.

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