Um histórico retrocesso do governante Partido Conservador e a vitória sem precedentes de candidatos independentes são os dois marcos apontados por analistas e dirigentes políticos ao avaliarem as eleições municipais de anteontem na Colômbia. Ao mesmo tempo, o outro partido tradicional, o Liberal (PL), conseguiu preservar sua força majoritária, embora perdendo em redutos tradicionais.
Em meio a um inusitado clima de tranquilidade, os colombianos elegeram ontem os ocupantes de 14 mil cargos públicos – entre os quais 993 prefeitos, 30 governadores, 502 deputados e 12.118 vereadores – em todo o país, sob a vigilância de cerca de 300 mil membros das Forças Armadas e de segurança.
‘‘Vale a pena ter perdido as eleições se pudermos conseguir a paz’’, disse ontem Fabio Valencia, um dos líderes do governo do presidente Andrés Pastrana e delegado oficial nas negociações de paz com a guerrilha.
Valencia disse confiar que, nos últimos 21 meses que restam ao governo de Pastrana, possa ser alcançado um acordo para pôr fim a 40 anos de violência política.
Horacio Serpa, líder do PL que concorreu com Pastrana nas últimas eleições presidenciais, assegurou que os liberais ganharam cerca de 700 das 943 prefeituras municipais e 14 dos 30 cargos de governador em disputa.
Para os analistas, os grandes vencedores foram os independentes, que elegeram, isoladamente ou em coalizões, 17 dos 30 prefeitos das capitais de departamentos (estados) – inclusive o da capital do país – e 16 dos 30 governadores.
A mais notável vitória dos independentes foi em Bogotá, a capital, que já foi o maior reduto do PL no país. Ali Antanas Mockus – um filósofo e matemático de 48 anos, que está tentando formar o novo partido político ‘‘Visionário’’ – derrotou a ex-chanceler liberal María Emma Mejía: com 68,7% dos votos apurados, Mockus contava com 43,21%, contra 34,44% de Mejía.

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