Colômbia e Peru têm problemas com refugiados
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quarta-feira, 27 de agosto de 1997
Ronaldo Soares Agência Estado Rio de Janeiro 
Os governos dos países sul-americanos vão receber do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) recomendações para que seja respeitada a chamada Convenção de 1951, estatuto que determina as normas de procedimento em relação aos refugiados políticos, assinado por 150 nações. Essa foi uma das decisões adotadas ontem, na abertura da reunião anual que está sendo promovida pela entidade num hotel da zona sul do Rio.
De acordo com o representante regional da Acnur, Guilherme da Cunha, a situação mais preocupante na América do Sul é em relação à Colômbia, onde segundo a entidade há cerca de um milhão de vítimas de deslocamentos forçados, problema decorrente de guerrilhas, narcotráfico e da atuação de grupos paramilitares. O Peru também é motivo de preocupação, já que naquele país há cerca de 600 mil pessoas em situação semelhante.
Segundo Cunha, o governo brasileiro receberá um elogio da entidade por ter sido o primeiro país do continente americano a formular oficialmente um plano nacional de direitos humanos sancionado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso no mês passado. O encontro iniciado ontem reúne representantes de 12 organizações não-governamentais (ONGs) e 50 delegados de vários países.
Segundo Guilherme da Cunha, o Brasil é hoje o país sul-americano que abriga o maior número de refugiados políticos - cerca de 3 mil, oriundos principalmente de Angola e da Libéria. Cunha afirma que a maioria dos refugiados que busca asilo no Brasil saiu de um país em guerra ou em caos econômico.


