Colisão com general
isolou Carlos Wasmosy
O rompimento do presidente Juan Carlos Wasmosy poderá custar caro aos colorados. Wasmosy já está pagando um alto preço por isso. Além de ter faltado ao comício de encerramento da campanha, seu nome foi várias vezes vaiado. O presidente contabiliza um dos mais baixos índices de popularidade.
A economia do Paraguai apesar do impulso que teve com sua adesão ao Mercosul, está estagnada. As reservas cambiais são de pouco mais de 700 bilhões de dólares, a taxa de desemprego cresce e o poder aquisitivo vem recuando a ponto de preocupar até os fabricantes de cerveja, que registraram uma queda desde o início do ano 15% das vendas. Esses males são atribuídos em grande parte ao presidente Wasmosy que, para agravar ainda mais sua perda de prestígio, entrou em rota de colisão com o general Lino Oviedo, o grande herói atual da nação colorada.
Oviedo conquistou a fama de herói ao enfrentar com uma granada em cada mão os guardas que protegiam o velho general Alfredo Stroessner, durante o golpe que o depôs em 1989. O gesto de Oviedo foi responsável pela capitulação de Stroessner e pelo fim de seu regime, que durou 35 anos. De lá para cá, a fama de Oviedo só aumentou. Oviedo transformou-se no ídolo dos colorados, e também de segmentos importantes da população.
Os generais paraguaios têm licença para negociar. Oviedo, como os demais generais, fez fortuna e se preparava para aumentá-la ainda mais quando Wasmosy surgiu no caminho. O desentendimento de ambos levou Oviedo a se aquartelar em abril de 1996, ato que foi interpretado por Wasmosy como o início de um golpe de Estado. O golpe não ocorreu, e talvez nem viesse a ocorrer, mas Oviedo está pagando por ele com a prisão.
Sua prisão, determinada inicialmente por um tribunal militar especial, acabou confirmada pela Suprema Corte de Justiça. Oviedo está fora do páreo por iniciativa de Wasmosy, um colorado, mas seu carisma é a grande arma que os colorados estão usando para impedir o avanço da oposição.
‘‘Com Lino em la mente, Cubas presidente’’, gritava organizadores do comício colorado. E a liberação de Oviedo se transformou na principal promessa eleitoral de Raul Cubas Grau, que garante que irá soltá-lo assim que tomar posse, apesar de não dispor de recurso legal para isso. ‘‘Lino Vive’’, dizem os cartazes espalhados por Assunção. Oviedo está demonstrando, em seu silêncio e em sua ausência, o quanto está vivo e presente.(José Antônio Pedriali)

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