Washington - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, aceitou ontem o pedido de demissão do secretário de Estado, Colin Powell. Outros três membros do gabinete americano pediram demissão, segundo informações de funcionários do governo dos Estados Unidos. Além de Powell, a secretária de Agricultura Ann Veneman, o secretário de Educação Rod Paige e o secretário de Energia Spencer Abraham não devem mais fazer parte do governo do presidente americano, George W. Bush. Na semana passada, o secretário de Justiça John Ashcroft e o secretário de Comércio Donald Evans pediram demissão.
Bush já escolheu um substituto para Ashcroft, o conselheiro Alberto Gonzales. Segundo uma das fontes da Casa Branca, Powell espera ficar no governo até janeiro. Ainda não está claro se ele deixa a administração Bush antes do segundo mandato do presidente, que começa em 20 de janeiro. Especulações sobre um possível sucessor de Powell apontam o nome do republicano John Danforth, ex-senador do Missouri, e embaixador dos EUA na Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo a rede de TV CNN, também é possível que a conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, substitua o secretário.
A saída de Powell encerra um período de quatro anos agitados à frente da diplomacia americana marcados pelo conflito no Iraque e múltiplas tensões com os ''falcões'' da administração. O general-diplomata, de 67 anos, havia entregue sua carta de renúcia ao presidente Bush na última sexta-feira, segundo informou ontem à AFP um alto funcionário do Departamento de Estado. Powell ficará no cargo até que um substituto seja indicado pelo governo americano.
Entre outros fatos que marcaram sua gestão, Powell apresentou na ONU um controverso relatório sobre as armas de destruição em massa supostamente em poder de Bagdá, nenhuma das quais foi encontrada depois da queda do regime de Saddam Hussein.
A demissão de Powell, uma das personalidades políticas mais populares nos Estados Unidos, vinha sendo há meses especulada nos meios políticos e na imprensa americana. Powell vinha mantendo a posição de que ''se comportaria segundo os desejos do presidente''.
Preocupado em manter uma diplomacia multilateral, Powell manifestou em várias oportunidades sua aversão às posições dos ''falcões'' da equipe de Bush, particularmente em relação ao secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, e o vice-presidente Dick Cheney.
Também tentou tomar distância do relatório que apresentou no Conselho de Segurança da ONU sobre o arsenal iraquiano, o que comprometeu seu prestígio pessoal, criticando a má qualidade da informação entregue pelos serviços de inteligência. Powell foi operado em dezembro de um câncer de próstata, uma intervenção da qual se recuperou satisfatoriamente, segundo o Departamento de Estado.

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