A tensão continuava ontem na Bolívia, em meio a novas ameaças do governo de ordenar à polícia e ao Exército o desbloqueio forçado de uma estrada estratégica para as exportações do país, ocupada pelos plantadores de coca.
Os ‘‘cocaleros’’, como são chamados os camponeses que cultivam a coca, mantêm bloqueada há 23 dias a estrada entre Cochabamba e Santa Cruz, que atravessa a região de Chapare, exigindo do governo a suspensão do programa de erradicação de suas plantações e permissão para reiniciar o plantio da droga.
‘‘Vamos começar a desbloquear a estrada principal, apesar das ameaças de Evo Morales’’, advertiu o ministro do Governo, Guillermo Fortún, referindo-se às declarações do líder camponês no sentido de que os ‘‘cocaleros’’ oporão resistência armada a qualquer medida de força.
Ao mesmo tempo, o comandante da Forças Armadas, almirante Jorge Zabala, disse que os militares estão prontos para atuar em Chapare, a cerca de 580 km da capital, La Paz. Segundo a imprensa, mais de 6 mil soldados poderão entrar em ação na região.
Em meio ao impasse, uma comissão mediadora constituída por representantes da Igreja Católica, da Defensoria do Povo e das organizações de direitos humanos pediu ao governo mais um dia de prazo para tentar encontrar uma solução para o conflito.