Coalizão governista enfrenta divisões na Iugoslávia
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de abril de 2001
Associated PressDe Belgrado 
Seis meses depois de depor Slobodan Milosevic, a governista coalizão pró-democracia na Iugoslávia enfrenta divisões sobre a cooperação com o tribunal de crimes de guerra da ONU e outras questões-chave, afirmou ontem uma alta autoridade.
Dragan Marsicanin, presidente do parlamento da principal república da Iugoslávia, Sérvia, disse, segundo o jornal Vecernje Novosti, que o futuro da coalizão uma união de 18 partidos políticos está sendo seriamente colocado em dúvida.
Marsicanin afirmou que o Partido Democrático da Sérvia, do presidente iugoslavo Vojislav Kostunica, tem posições diferentes em diversas questões do outro principal partido da coalizão o Partido Democrático, do primeiro-ministro sérvio Zoran Djindjic.
Numa entrevista ontem à tevê BK, Kostunica admitiu que existem diferenças entre os parceiros de coalizão, mas buscou retratá-las como parte de um processo político normal.
O tempo responderá esta questão cedo ou tarde, disse Kostunica quando questionado sobre o futuro da coalizão. Não existe dúvida de que eventualmente ela deixará de existir.
A coalizão, conhecida como Oposição Democrática da Sérvia, foi formada no ano passado para desafiar Milosevic nas eleições iugoslavas de 24 de setembro. Com Kostunica como seu candidato presidencial, a ODS derrotou Milosevic e o depôs em outubro num levante popular que explodiu quando ele recusou-se a aceitar a derrota.
Desde outubro, entretanto, Kostunica e Djindjic têm discordado publicamente numa série de questões, inclusive a cooperação com o tribunal de crimes de guerra da ONU, baseado em Haia, Holanda. Kostunica é contra a entrega de iugoslavos suspeitos de crimes de guerra, incluindo Milosevic, que foi preso na semana passada por acusações de corrupção e abuso de poder. Djindjic, entretanto, estaria pressionando pela total cooperação com Haia, para que a Iugoslávia possa receber mais apoio político e financeiro.


