Brasília - O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), D. Geraldo Majella Agnelo, considera que a polêmica sobre a eventual mensagem anti-semita do filme ''A Paixão de Cristo'', de Mel Gibson, não está bem colocada. O filme tem estréia prevista para o dia 19 em todo o Brasil. O bispo, que viu a obra em uma sessão reservada para religiosos na terça-feira, afirmou que a produção é bastante violenta, mas, ao mesmo tempo, muito fiel ao relato bíblico da paixão e morte de Cristo.
D. Agnelo avalia que, para um católico ou um cristão, possa ser ''interessante'' assistir à obra e depois compará-la com os textos do Evangelho. Mas, avisou, que, diante da violência apresentada ''certamente muita gente vai chorar.'' Sobre a procedência das críticas feitas à obra, completou o presidente da CNBB, o ideal é que as pessoas interessadas assistam à produção e formem seu próprio conceito. ''No filme há uma insistência sobre a necessidade de se praticar o perdão, o amor fraterno, o que é positivo'', afirmou o vice-presidente da CNBB, D. Antonio Celso Queirós. Para ele, no entanto, a obra é apropriada para pessoas que gostam de ''filmes de catástrofe'', tamanha é a violência.
Grupos judaicos norte-americanos sustentam que a obra atribui a morte de Cristo aos judeus. ''A morte foi executada por soldados romanos. Mas a decisão foi influenciada por chefes judeus da época'', afirmou Queirós. ''Contudo Jesus e Maria eram judeus. Na verdade, o que levou a morte de Cristo foi o pecado'', completou o vice-presidente da CNBB. D. Agnelo lembrou ainda o texto do Concílio Vaticano 2º, que expressa claramente que não se pode atribuir o ocorrido a um povo.

mockup