O governo britânico informou ontem que apresentará um projeto de lei com propostas de emendas a uma legislação que proíbe a clonagem humana, aumentando as chances de a Grã-Bretanha se tornar o primeiro país do mundo a autorizar especificamente a clonagem humana.
O objetivo é permitir a pesquisa científica em embriões. A medida, que não contempla a criação de bebês clonados, é uma resposta a um relatório divulgado ontem por uma comissão do governo liderada pelo secretário britânico da Saúde.
‘‘Estamos falando sobre pesquisas neste estágio, não sobre tratamentos’’, alertou o doutor Liam Donaldson, secretário da Saúde.
Enquanto diversos países trabalham em leis para proibir a clonagem humana, muitos outros consideram a possibilidade de permitir de maneira limitada sua utilização no tratamento de doenças.
A Grã-Bretanha permite aos cientistas conduzir pesquisas em embriões com mais de 14 dias para analisar certas desordens, mas impede sua utilização para o estudo de doenças adquiridas na fase adulta ou sua criação por meio de clonagem, o que foi proibido em 1990.
O relatório recomenda que a lei dos 14 dias permaneça vigente e que a nova legislação seja introduzida para proibir a criação de embriões híbridos (animal-humano) e para reafirmar a proibição da criação de bebês clonados.
A razão para as propostas de mudança é o potencial daquelas que são conhecidas como ‘‘células embriônicas indiferenciadas’’ - as células ancestrais do corpo humano que evoluem para formar a maior parte dos tipos de tecidos e células.
Um embrião é, basicamente, uma bolinha feita de células indiferenciadas que, após sucessivas divisões, começam a se especializar dando origem, no feto, a neurônios, glóbulos brancos, e outras células.
A idéia que atrai os cientistas é a de remover uma célula qualquer do corpo de um doente, por exemplo, com diabete. O DNA dessa célula seria removido e inserido no interior de uma célula da qual previamente se retirou o material genético. Essa célula seria, então, estimulada a dividir-se. As células resultantes seriam geneticamente idênticas às do doador e, em tese, poderiam ser retiradas e estimuladas a se transformar em células.
Reintroduzidas no paciente, não ofereceriam nenhum risco de rejeição e restaurariam a sa© úde do paciente. O mesmo raciocínio poderia ser aplicado a pessoas que sofrem de mal de Parkinson, leucemia, insuficiência hepática e outras doenças.

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