Clonagem é autorizada na Inglaterra
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quarta-feira, 09 de fevereiro de 2005
France Presse 
Londres - O criador da ovelha Dolly, o primeiro animal clonado, recebeu ontem do governo britânico a autorização para clonar embriões humanos, dentro de sua pesquisa sobre doenças neurológicas, o que provocou protestos de grupos opositores.
Ian Wilmut, professor do Instituto Roslin de Edimburgo e do King's College de Londres, afirmou, depois de receber a luz verde da Autoridades para a Fertilização e Embriologia Humanas do Governo britânico, que seus experimentos têm apenas fins terapêuticos. ''Isso não tem nada a ver com a clonagem reprodutiva'', assegurou, em coletiva de imprensa em Edimburgo, assinalando sua esperança de que as experiências permitam avançar nos tratamentos de enfermidades degenerativas.
Wilmut e sua equipe ficaram famosos quando anunciaram, em 1997, que haviam clonado um animal, a ovelha Dolly. A ovelhinha envelheceu prematuramente e sofreu eutanásia em 2003 porque padecia de uma enfermidade pulmonar incurável.
Mas o anúncio de seu ''nascimento'' criou um intenso debate nos meios de comunicação sobre a ética da clonagem, uma discussão que ainda persiste. Na Grã-Bretanha a clonagem só é permita para fins terapêuticos.
Wilmut e sua equipe do Kings College - que pediram permissão em setembro passado para realizar essas experiências - são o segundo grupo pesquisador que obtém uma autorização para clonar embriões humanos na Grã-Bretanha.
Em agosto de 2004, a Autoridade de Embriologia e Fertilização autorizou a equipe do professor Miodrag Stojkovic, do Instituto de Genética Humana da Universidade de Newcastle (norte da Inglaterra), que procedesse a experimentos para clonar embriões humanos. O objetivo dessa pesquisa é fazer crescer embriões para que se convertam em tecidos que possam ser utilizados para tratar zonas do corpo danificadas por enfermidades como o Mal de Parkinson.
Em compensação, a meta de Wilmut e sua equipe é extrair células-tronco de pacientes com doenças degenerativas e implantá-las em óvulos fertilizados, criando assim embriões clonados. Em seguida, a equipe pegará as células desses embriões para desenvolver neurônios motores, que são longos nervos que transmitem mensagens elétricas do cérebro e da medula espinhal para os músculos.
A autorização dada pelo governo britânico a Wilmut provocou imediatas críticas de organizações que se opõem a essas experiências e que afirmaram que a Grã-Bretanha se aproxima cada vez mais da autorização de clonar humanos.
Anthony Ozimic, secretário da Sociedade para a Proteção da Vida das Crianças por Nascer, criticou o governo por autorizar essa pesquisa. Essa permissão equivale a ''clonar e matar'', afirmou Ozimic, advertindo que o próximo passo será manufaturar seres humanos. Ozimic pediu à autoridade competente que suspenda todos as permissões até que as Nações Unidas, que estão debatendo o tema da clonagem humana, tome uma decisão.


