France Presse‘‘Prestigiado’’O vice Al Gore (e) Clinton em Champaign-Urbana: entusiasmoEmbalado pela acolhida calorosa que teve na noite de quarta-feira no Congresso, onde apresentou seu programa de governo para os próximos três anos no momento em que sua própria sobrevivência no poder parecia ameaçada por mais um escândalo sexual, o presidente Bill Clinton levou ontem sua agenda política para o interior dos Estados Unidos e completou mais uma das ressurreições que lhe valeram o apelido de ‘‘Come back kid’’, um mestre da volta por cima.
Dado como politicamente liquidado apenas três dias antes por comentaristas políticos e até por dois ex-conselheiros diretos na Casa Branca, Clinton foi recebido com enorme entusiasmo e sem nenhuma manifestaçao hostil pelos estudantes da Universidade de Illinois, em Champaign-Urbana e, mais tarde, pelos habitantes da cidade de Lacrosse.
Nos dois lugares, ele continuou sua campanha para focalizar a atenção do país na eliminação do deficit público e em outras realizações de seu governo e vender as ambiciosas propostas de investimentos em educação e saúde e de fortalecimento dos fundos federais para aposentadoria, em torno das quais quer construir seu legado para o país.
Os dois eventos certamente tranquilizaram os assessores do presidente, que mesmo depois do bem sucedido discurso de Clinton ao Congresso, continuaram a se perguntar se ele conseguiria recuperar a autoridade política e governar por mais três anos depois de ter sido transformado pelo escândalo, já batizado de ‘‘Oralgate’’, no alvo predileto das piadas - as mais pesadas e impiedosas - em programas nacionais de rádio e televisão.
De acordo com uma delas, agora apenas um zíper separa o vice-presidente Albert Gore do ‘‘Oral Office’’, uma referência ao Oval Office, o gabinete oficial do presidente dos EUA, ao lado do qual teriam acontecidos os supostos encontros de Clinton com Mônica Lewinsky, uma ex-estagiária na Casa Branca.
Seguindo a estratégia da contra-ofensiva iniciada na segunda-feira para conter o escândalo e transferir à imprensa e ao promotor especial Kenneth Starr o ônus de alimentá-lo diante de um público nauseado com a incessante divulgação de rumores e especulações sobre o alegado caso de Clinton com Lewinsky - que o presidente negou categoricamente - a primeira-dama Hillary Clinton voltou ontem à televisão para acusar Starr e os inimigos de seu marido de estarem engajados num conspiração política da direita para destruí-lo.
Hillary informou que o presidente e seu amigo e conselheiro pessoal, o advogado Vernon Walter, que também foi implicado por Lewinsky em conversas telefônicas em possíveis crimes de perjúrio e obstrução da Justiça, não se pronunciarão mais em público sobre o assunto ‘‘porque há uma investigação em curso’’. Ela voltou a prever que o inquérito de Starr não dará em nada e que a controvérsia se dissipará.
As pesquisas de opinião indicam que a estratégia de Clinton para neutralizar o escândalo e reduzi-lo a mais uma das intermináveis controvérsias que acompanharam seu governo está dando resultado. De acordo com a rede de televisão ABC, entre os milhões de americanos que assistiram ao seu discurso sobre o Estado da União, perto de 80% o aprovaram. E caiu de 62% para 49% a proporção dos que acreditam que algo inconfessável aconteceu entre o presidente e Mônica Lewinsky. Apenas 38% disseram que confiam no desmentido de Clinton. Mais significativo, porém, é que aumentou de 49% para 56% o número dos que acham que Clinton tem ‘‘a honestidade necessária’’ para ocupar a presidência.

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