Clinton tem apoio parcial nos EUA
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Paulo Sotero Agência Estado 
Minutos depois de o presidente Bill Clinton confirmar o início do ataque das forças da Aliança Atlântica contra a Iugoslávia, durante uma breve aparição na sala de imprensa da Casa Branca, na tarde de ontem, o líder da maioria republicana no Senado, Trent Lott, divulgou uma declaração de apoio às tropas americanas engajadas - via controle remoto, por ora - na ação punitiva contra o governo de Slobodan Milosevic.
Nos últimos dias, o líder republicano manifestara sérias dúvidas sobre a operação. Ontem, Lott disse que, apesar de suas reservas, o Congresso autorizará todos os recursos necessários para os soldados norte-americanos garantirem uma conclusão bem-sucedida de sua missão e um retorno salvo e seguro às suas famílias.
Na noite de terça-feira, o Senado já havia avalizado a participação dos Estados Unidos no ataque, por 58 votos contra 41. Como indica a declaração de Lott, no entanto, o grau e a duração do apoio político nos EUA à operação para convencer Milosevic a aceitar os termos do acordo sobre a autonomia da província separatista de Kosovo, negociado em Paris, dependerão da rapidez e eficácia com que ela for concluída.
A premissa em Washington é que uma intensa campanha de duas a três semanas de bombardeios aéreos contra as forças sérvias será o suficiente para dobrar o líder iugoslavo, cessar o massacre de guerrilheiros e civis em Kosovo e levá-lo a assinar o acordo de Paris.
Este prevê a presença de milhares de soldados da Otan para garantir a autonomia limitada da província meridional do que restou da antiga Iugoslávia e a segurança de sua população de 1,6 milhão.
Mas e se Milosevic não seguir o roteiro imaginado pela Casa Branca e os demais governos da Otan e resistir? Continuar o bombardeio aéreo é a única resposta que os estrategistas americanos parecem ter para essa pergunta. Neste caso, os aliados terão provavelmente que se sujeitar a perdas de aviões e pilotos, o que testará o apoio político ao ataque.
Mas a possibilidade de ampliar o envolvimento da Otan enviando forças terrestres a Kosovo, na ausência de um acordo de paz, simplesmente não faz parte dos cálculos de Washington. Embora possa se tornar uma alternativa imposta por um resultado político negativo do ataque aliado, essa idéia não parece ter sido contemplada até agora nem sequer como hipótese. A razão óbvia é que ela não teria apoio político no Congresso.
O ex-secretário de Estado Henry Kissinger, uma das vozes mais respeitadas do establishment americano em questões de segurança internacional, manifestou publicamente sua apreensão na véspera do ataque. Apoiarei o presidente tão logo a ação militar seja iniciada, mas devo dizer que sinto uma enorme inquietação diante da falta de uma estratégia clara, da ausência de uma estratégia de saída e da possibilidade de estarmos entrando num conflito interminável, disse Kissinger, na noite de terça-feira.
O principal argumento da administração americana para justificar o primeiro ataque da Otan contra uma nação soberana em seus 50 anos de história como aliança defensiva é que conter a agressão sérvia em Kosovo é a única maneira para impedir uma crise de refugiados em larga escala na região e desestabilizar países vizinhos como a Macedônia, Albânia, Montenegro e Bósnia - caldeirões de conflitos étnicos seculares reacendidos no final da década passada pelo colapso do comunismo e a fragmentação da antiga Iugoslávia.


