Clinton substitui o general Clark
Associated Press
De Washington
A administração Clinton pediu ao general Wesley Clark, o comandante americano que liderou a bem sucedida campanha de bombardeios da Otan contra a Iugoslávia, para abandonar seu comando dois meses antes do programado no ano que vem.
Quando a jornada de um soldado terminou, está terminado, disse ontem Clark, um general do exército de quatro estrelas que é o comandante-supremo aliado na Europa. Ele considerou a situação como um mudança rotineira de pessoal.
Sou muito orgulhoso de vestir este uniforme. Eu amo meu trabalho, afirmou ele em Vilnius, Lituânia, depois de reunir-se com o presidente lituano, Valdas Adamkus, segundo o Serviço de Notícias Báltico. Ele foi informado sobre a mudança de comando na terça-feira por um telefonema do general Hugh Shelton, comandante do Estado-Maior Conjunto dos EUA.
Na Casa Branca, o porta-voz Joe Lockhart insistiu que Clark não está sendo punido por suas críticas à estratégia da aliança em Kosovo, e tensões no tempo da guerra com a administração Clinton.
Clark, que teve o árduo trabalho de manter unida uma multinacional militar Otan durante a campanha aérea de 11 semanas contra a Iugoslávia, tinha programado deixar o comando em julho do ano que vem, tendo acabado de receber uma costumeira extensão de um ano de seu mandato como comandante da Otan na Europa. Mas a administração Clinton decidiu colocar em seu lugar o general da Força Aérea Joseph Ralston, hoje subcomandante do Estado Maior.
A mudança na escala de Clark, aprovada pelo secretário da Defesa William Cohen, ocorre um mês depois que a Otan pôs fim à campanha aérea contra a Iugoslávia. A relação do general com Cohen tem sido muito mais fria do que a de alguns outros comandantes de campo dos EUA, segundo uma autoridade de defesa. Entre outras coisas, Clark defendeu em conselhos privados que a Otan deixasse aberta a opção de usar tropas terrestres em Kosovo, algo que Cohen se opôs veementemente.
Ele também não compartilhou da convicção da secretária de Estado americana, Madeleine Albright, segundo a qual bastariam poucos dias de bombardeios para obrigar Milosevic a retirar suas forças de Kosovo. À época, Clark advertiu: A Iugoslávia não é o Iraque. A guerra será longa.
Clark conhecia bem Milosevic, com quem havia tratado o acordo da Bósnia.





