Clinton recebe boas e más notícias
O escândalo sexual envolvendo o presidente Bill Clinton e Monica Lewinsky, uma ex-estagiária da Casa Branca, evoluiu ontem na frente legal em direções que contêm boas e más notícias para o líder americano. Num desdobramento favorável para Clinton, fracassaram as conversações entre a equipe do promotor independente Kenneth Starr e William Ginsburg, o advogado de Lewinsky, que buscava imunidade para sua cliente em troca de um depoimento no qual ela contaria tudo sobre os vários encontros de sexo oral que teria tido com Clinton na Casa Branca, conforme contou a uma suposta amiga, Linda Tripp, que gravou as conversas. Tripp, que também trabalhou na Casa Branca, entregou as fitas a Starr e desencadeou o escândalo.
O New York Times revelou ontem novos detalhes da visita que Lewinsky fez ao presidente no dia 28 de dezembro, depois que recebeu uma intimação judicial para explicar suas relações com Clinton no processo civil por assédio sexual que Paula Jones, uma-ex-funcionária do governo de Arkansas, move contra o presidente.
Vou preparar a defesa da minha cliente, disse Ginsburg, depois de um breve encontro com Monica. Isso quer dizer que Lewinsky provavelmente será indiciada por Starr e por indução ao perjúrio. Ela assinou uma declaração jurada na ação civil de Paula Jones negando que tenha tido um relacionamento sexual com o presidente e tentou convencer Tripp a mudar seu depoimento sobre um encontro que Clinton teria tido com uma outra mulher, Kathleen Willey, em novembro de 1993. Mas Lewinsky não será testemunha de acusação contra o presidente, o que é um alívio para a Casa Branca.
Duas outras decisões de Starr ontem, porém, aumentaram os problemas de Clinton. Por um lado, o promotor independente pediu a suspensão do trabalho de instrução do processo de Paula Jones, alegando que ele está interferindo com as suas investigações. Como as ações criminais têm precedência sobre as ações civis, o pedido deverá ser atendido e o julgamento de Clinton no processo de Jones, marcado para abril, provavelmente atrasará, prolongando a vida do assunto na imprensa.
Paralelamente, Starr decidiu convocar também um novo grande júri, no estado de Virgínia, com o aparente objetivo de assegurar o depoimento de Kathleen Willey, uma ex-funcionária da Casa Branca, que mora naquele estado. Segundo o Washington Post, que publicou ontem uma extensa reportagem sobre o encontro de Willey com Clinton, o presidente agarrou-a numa sala anexa a seu gabinete oficial durante uma conversa em que a mulher foi pedir-lhe um emprego melhor no governo, porque vivia uma crise financeira.
Eu sempre quis fazer isso, teria dito Clinton depois de beijar e apalpar Willey e colocar a mão da moça entre as suas pernas. Ao sair do Salão Oval, com a maquiagem borrada e a roupa fora do lugar, Willey deu com Tripp no corredor e contou-lhe que havia levado uma cantada do presidente. Não se sabe se Willey disse o mesmo a seu marido, um agente imobiliário de Richmond, a capital da Virginia, que tinha ido à bancarrota financeira. É certo, no entanto, que, no mesmo dia, ele se matou.





