Clinton quer derrubar barreiras raciais
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sábado, 14 de junho de 1997
Christian Chaise France Presse Washington 
Arquivo FolhaFaltam recursosO presidente Bill Clinton: posição colide em dificuldades para obter verbasO presidente Bill Clinton lançou ontem, em San Diego (Califórnia) uma ambiciosa campanha para superar as divisões raciais nos Estados Unidos, instando ao diálogo e à tolerância. Clinton, que já havia nomeado uma comissão de sete membros encarregada de estudar possíveis vias para melhorar as relações raciais nos Estados Unidos, decidiu-se pelo novo projeto, considerado um dos mais importantes de sua presidência, envolvido em uma forte polêmica causada pelo projeto de suprimir as quotas raciais no sistema universitário.
Acredito que é um bom momento para fazer isto, porque não há uma crise que absorva a Nação e ocupe as primeiras páginas dos jornais a cada dia. A economia está forte, a criminalidade diminuiu e nossa posição no mundo é boa, disse Clinton ontem aos jornalistas.
Nas próximas décadas, seremos uma sociedade multirracial na qual nenhum grupo étnico será majoritário, acrescentou o presidente, que disse esperar por propostas concretas para melhorar as relações interraciais.
Mas, os esforços de Clinton estão recebendo as críticas de algumas organizações de negros, que querem mais atitudes concretas e menos palavras, assim como dos conservadores, que se opõem ao sistema de quotas raciais que continuam sendo aplicadas nos setores da educação e do emprego desde os anos 70.
O presidente do Congresso, Newt Gringrich, também criticou a decisão de Clinton e advertiu ao presidente que espera que ele não vá defender as quotas e reservas e que a intervenção do governo discrimine indivíduos sobre a base de alguma identidade mítica. Tem sido um erro, uma máscara atrás da qual o povo evitou confrontar-se com o fracasso, afirmou.
Para o democrata Clinton, o desafio consiste em superar a retórica e as boas intenções e oferecer algo mais tangível que reduza a brecha que separa os grupos étnicos, mas com o controle do Congresso pelos Republicanos será difícil obter fundos para financiar programas destinados a melhorar as condições em que vivem as minorias e os guetos urbanos.
Os esforços de Clinton são ambiciosos em um país com um antigo movimento de direitos civis, embora muitas pessoas vejam uma sociedade dividida por linhas raciais. De acordo com uma recente pesquisa, 76% dos brancos acreditam que os negros recebem o mesmo tratamento, enquanto apenas 49% dos negros pensam o mesmo.
Setenta e nove por cento dos brancos dizem que os negros têm as mesmas oportunidades profissionais que eles, mas só 46% dos negros acreditam ter as mesmas oportunidades que os brancos. Cerca de 45% dos negros destacaram que têm sido vítimas da discriminação racial em pelo menos uma em cada cinco situações nos últimos 30 dias.


