O presidente Bill Clinton começou a preparar os americanos para um bombardeio aéreo em grande escala contra o Iraque. Falando ontem durante a cerimônia do Dia dos Veteranos de Guerra, Clinton disse que não pode ficar sem resposta o desafio que o presidente Saddam Hussein lançou à comunidade internacional quando bloqueou o trabalho dos inspetores de armas das Nações Unidas em seu país e condicionou suas atividades à suspensão das sanções econômicas impostas contra o Iraque pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, após a Guerra do Golfo, em 1991.
‘‘Deixar de responder abriria uma oportunidade para o Iraque reconstruir seu arsenal de armas e veículos lançadores em questão de meses e encorajaria Saddam a agir de forma irresponsável, sinalizando a ele que pode, impunemente, desenvolver armas de destruição em massa ou ameaçar seus vizinhos’’, disse Clinton.
O líder americano sublinhou sua disposição de agir ordenando a partida imediata para o Golfo Pérsico de mais 3 mil soldados e 129 aviões, incluindo bombardeios pesados. Na véspera, o porta-aviões Enterprise e uma força expedicionária de fuzileiros navais a bordo do navio Belleau Wood, que já estavam a caminho para render forças na região, receberam instruções para acelerar a viagem. Estão no Golfo o porta-aviões Eisenhower e outros 22 navios, oito dos quais armados com centenas de mísseis, 173 aviões e 23.500 militares.
Embora Clinton tenha deixado a porta aberta para uma solução pacífica do novo impasse, porta-vozes de sua administração indicaram que o tempo para conversas é curto e que Bagdá deve voltar a respeitar os termos do acordo que assinou como o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, em fevereiro passado.
‘‘Uma coisa que nós não precisamos nem estamos planejando é negociações com Saddam Hussein’’, afirmou James Rubin, o porta-voz do Departamento de Estado. ‘‘Não temos nenhuma dúvida de que vários governos estão lhe dando essa mensagem’’.
Um ataque contra instalações suspeitas no Iraque pode começar a qualquer momento, pois os EUA já têm no Golfo armas suficientes para fazê-lo. Clinton conta também com o apoio da opinião pública americana e já recebeu sinais de suporte de alguns dos aliados-chave dos EUA, começando pela Inglaterra. Diante da situação, é possível que Clinton cancele a viagem à Ásia, programada para este fim de semana.

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