Clinton pode ser censurado
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domingo, 13 de setembro de 1998
Carlos Eduardo Lins da Silva Agência Folha 
Tim SloanBill Clinton passou o dia de ontem distante do públicoVários parlamentares da oposição e do governo defenderam ontem a tese de que o presidente dos EUA, Bill Clinton, deve ser punido pelo Congresso com uma moção de censura por seu comportamento no escândalo Monica Lewinsky. Se a decisão do Congresso for tomada com base em pesquisas de opinião pública, essa será a solução para o caso, já que a maioria dos entrevistados em todas as enquetes divulgadas hoje (de 56% a 59%) preferem tal saída à hipótese de renúncia ou impeachment.
Um dos que estão defendendo a fórmula da censura, o senador Orrin Hatch, da oposição, conversou ontem por telefone com Clinton. Hatch, que é presidente da Comissão de Justiça do Senado, onde se realizará a primeira etapa da fase final do processo de impeachment (se ele chegar até lá) se recusou a dizer a jornalistas se ele discutiu com o presidente a possibilidade de Clinton aceitar a censura. Vários assessores de Clinton têm defendido a tese de que o presidente deve admitir ter cometido ao menos alguns dos crimes de que é acusado, em troca da censura, para poupar o país do longo e traumático processo de impeachment.
Mas o presidente não tem dado sinal de que pretenda negociar qualquer punição, mesmo leve. Seus advogados passaram o domingo em entrevistas a emissoras de TV martelando a tecla de que ele não cometeu nenhum crime. O próprio Clinton passou o dia distante do público. Ele nem foi à Igreja Metodista, onde costuma assistir ao serviço religioso todos os domingos. Se estivesse lá, teria ouvido o pastor Philip Woogman dizer que o escândalo teve o lado positivo de forçar o presidente a encarar suas fraquezas e colocá-lo no caminho do arrependimento.
Alguns parlamentares, como o senador Robert Byrd, acham que a saída da censura é inviável por não estar prevista na Constituição. Mas ela tem um precedente histórico: em 1834, o Senado aprovou um moção dessas, contra o presidente Andrew Jackson, por ter fechado o banco central do país, invocando autoridade e poder não conferidos a ele pela Constituição. Todas as pesquisas de opinião mostram que mais de 70% dos entrevistados acreditam em todas as 11 acusações feitas contra Clinton. Mas a maioria acha que nenhuma delas, exceto uma (falso testemunho diante do júri de inquérito) seja suficiente para Clinton renunciar ou receber o impeachment.
Os índices de aprovação do governo se mantêm altos (de 59% a 67%) e os de reprovação pessoal de Clinton também (de 58% a 69%). A maioria dos entrevistados pela rede de TV ABC (53%) acha que o processo de impeachment deve ir até, pelo menos, o plenário da Câmara. Há indicações de que, de fato, a Comissão de Justiça da Câmara vai aceitar o relatório de Starr e realizar suas próprias investigações durante audiências públicas.
Dezenas de jornais, inclusive o prestigioso The Philadelphia Inquirer, pediram ontem em editoriais que Clinton renuncie. Vários assessores do presidente disseram que ele não renunciará.


